sábado, 3 de julho de 2010

Obras reveem advogado e combatente: LUIZ GAMA!!!

Afrobrasileiros e suas Lutas

Por: FABIO VICTOR

Pesquisa resgata petições reveladoras da habilidade do líder abolicionista Luiz Gama para libertar escravos

Em outro lançamento, sociólogo traça perfil biográfico do militante, e pesquisadora finaliza antologia com inéditos



Escravo liberto que conquistou respeito por sua força intelectual e pela habilidade, como advogado, em libertar negros cativos muito antes da Lei Áurea, Luiz Gama (1830-1882) foi o primeiro vulto abolicionista do país.


Mulato autodeclarado negro em plena escravidão, poeta satírico, líder republicano, é intrigante que sua figura continue subestimada na galeria das personalidades históricas do país, com reconhecimento quase restrito ao movimento negro, ao mundo jurídico e à maçonaria, outro setor em que atuou.


No aniversário de 180 anos do nascimento de Gama, comemorados na última segunda (21), dois lançamentos engordam a relativamente parca bibliografia a seu respeito.


Do advogado Nelson Câmara, "Luiz Gama: O Advogado dos Escravos", com prefácio de Miguel Reale Júnior, agrega à biografia transcrições das defesas de Gama, garimpadas no arquivo do Tribunal de Justiça de SP.


Revela como usou com astúcia as leis do Império para libertar seus clientes, que, mostra a pesquisa, não eram apenas negros -a estes ele atendia de graça. Previsto em lei desde 1832, o habeas corpus foi usado à exaustão pelo abolicionista, de forma pioneira, segundo o autor.



Militante do movimento negro, o sociólogo e professor Luiz Carlos Santos escreveu o perfil biográfico "Luiz Gama", em que sintetiza a trajetória única do perfilado ressaltando-lhe o caráter combativo na luta contra a discriminação da raça.


Traz as íntegras da carta autobiográfica que Gama escreveu a pedido do amigo Lúcio de Mendonça e do comovente artigo em que Raul Pompéia descreve o enterro do abolicionista, que reuniu 3.000 pessoas numa São Paulo de 40 mil habitantes.



REFERÊNCIAS
Ambos os autores se valem de trabalhos anteriores, como a biografia de Sud Menucci (de 1938), o ensaio biográfico "Orfeu de Carapinha", de Elciene Azevedo, e a edição crítica das "Primeiras Trovas Burlescas" de Gama, da professora da Unifesp Lígia Fonseca Ferreira.


Esta última finaliza antologia de cartas e artigos de Gama, alguns inéditos, além de preparar a tradução da sua tese de doutorado na Sorbonne sobre o personagem.
Os pesquisadores levantam hipóteses variadas sobre o desprezo a Gama no país.


Lígia Ferreira aponta a folclorização da cultura negra, o elitismo da República, as teses pseudocientíficas da época sobre a inferioridade dos negros e até um ensaio em que Roger Bastide desdenha da poesia de Gama.
"O Brasil é tão preconceituoso que embranquece as figuras para legitimá-las. Quando não consegue, as subestima", interpreta Santos. Câmara vê responsabilidade do próprio movimento negro, "que se fixou muito na figura de Zumbi e de certa maneira ignorou Luiz Gama".

ELEIÇÕES - 2010!!!

A natureza política do caos na campanha de Serra

Os problemas envolvendo a composição da chapa de José Serra não se resumem à biografia política do deputado Índio da Costa. Não se trata exatamente de ausência de programa. Serra e o PSDB têm um programa político e ele pode ser visto na maneira como governam estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No entanto, diante do êxito das políticas do governo Lula, interna e externamente, e da comparação com o que foi feito no governo FHC, Serra ficou sem espaço. A necessidade de esconder a agenda do PSDB e de inventar um discurso é uma das causas políticas reais das incríveis confusões da candidatura tucana.



Editorial - Carta Maior

Do jeito que a coisa vai, a candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República não precisa de adversários. O fogo amigo, as indecisões e trapalhadas que se avolumaram nos últimos dias estão atingindo a fronteira do surreal. O episódio da escolha do vice na chapa de Serra já ingressou nas páginas do anedotário da política nacional. Quem achava que já tinha visto tudo com as reações iradas de aliados de Serra contra a escolha de Álvaro Dias (PSDB-PR) deve ter ficado sem ar nesta quarta-feira com o anúncio de que o deputado paranaense não seria mais o candidato a vice, mas sim o deputado Índio da Costa (DEM-RJ). Quem? – foi uma pergunta muito repetida logo após o anúncio do nome. Logo começaram a surgir informações sobre o vice de Serra.

E, nova surpresa, as mais duras críticas vieram da vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB-RJ), que detonou a indicação do deputado do DEM para a chapa presidencial de Serra. Ex-colega de Índio da Costa na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Andréa Gouvêa resumiu: escolheram um “ficha suja” para ser vice de Serra. A vereadora foi relatora de uma CPI na Câmara do Rio que investigou irregularidades nos contratos de merenda escolar na cidade na época em que Índio ocupou a Secretaria de Administração (2001-2006). No relatório da CPI, Andréa Gouvêa apontou indícios de formação de cartel e de direcionamento de licitação e pediu a quebra do sigilo fiscal dos envolvidos ao Ministério Público Estadual. “O que eu penso do candidato Índio da Costa está refletido neste relatório da CPI. Houve direcionamento no resultado da merenda escolar. A conduta dele não é uma conduta de Ficha Limpa”.

Mas os problemas envolvendo a composição da chapa de José Serra não se resumem à biografia política do deputado Índio da Costa. A lambança ocorrida nos últimos dias foi mais um capítulo na acidentada trajetória do candidato que afirma ter se preparado a vida inteira para ser presidente da República. A julgar pelos últimos acontecimentos envolvendo sua campanha, essa preparação parece estar repleta de lacunas. Não é só o fato de que Serra tenha declarado publicamente que desejava ter ao seu lado na chapa o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e, após uma indicação atropelada de Álvaro Dias, rechaçada pelo DEM, tenha se contentado com o nome de um deputado desconhecido no cenário nacional e contestado no cenário estadual do Rio. A questão mais importante aqui não reside nos nomes, mas sim no método de escolha de um nome para o segundo cargo político mais importante do país e na qualidade da articulação política. E tanto o método quanto a qualidade da articulação foram marcados pela falta de preparo, pela truculência e pelo desrespeito aos próprios aliados. Essas não são exatamente virtudes de alguém que se preparou a vida inteira para a presidência da República.

É sintomático que algumas das declarações mais duras dirigidas ao ex-governador paulista tenham partido de aliados seus. “O poder do Serra de desorganizar as coisas é fora do comum. O Álvaro Dias não acrescenta nada e desagrega muito”, escreveu o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) no twitter, logo após ter ficado sabendo, pela imprensa, da indicação de Dias para ser vice de Serra. “O DEM não poderia saber da indicação do vice pela imprensa. Que tipo de parceria é esta?”, acrescentou o deputado Felipe Maia (DEM-RN). Fiel ao seu estilo,o ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, respondeu, também pelo twitter: “O DEM é uma merda”. Em meio a esse tiroteio, a campanha de Serra sofreu outro revés. No dia 30 de junho, o Partido Social Cristão (PSC) rompeu o acordo que havi feito com o PSDB e anunciou o apoio formal à candidatura da petista Dilma Rousseff á presidência da República. A direção do PSC apontou duas razões para a mudança: a posição da maioria dos deputados pró-Dilma e o fato de que o nome do partido ofertado para ser vice de Serra, o senador Mão Santa, sequer ter sido levado em consideração pelo candidato.

A truculência apontada pelos próprios aliados do PSDB na condução da campanha de Serra talvez não seja meramente um traço de personalidade individual e/ou institucional. A fulanização e a cultura do espetáculo e da fofoca que caracterizam boa parte da cobertura política na imprensa brasileira ocultam um fato que teima em ficar aparecendo: há algo chamado programa ou agenda política envolvido em uma campanha eleitoral. No caso da eleição presidencial brasileira, há, em linhas gerais, dois projetos em disputa. O projeto do atual governo, que conta com mais de 75% de aprovação popular, segundo as últimas pesquisas. E o projeto da oposição capitaneada pelo PSDB que representa o retorno ao projeto implementado durante os dois governos FHC. O desempenho presente do atual governo e as comparações com os números daquele período são amplamente desfavoráveis ao candidato Serra, razão pela qual ele procura fugir dessa recordação. Mas, ao fazer isso, o tucano e seus aliados ficam sem referência programática visível. Essa ausência ajuda a explicar um pouco o caos que marcou a campanha serrista nos últimos dias.

Não se trata exatamente de ausência de programa. Serra e o PSDB têm um programa político e ele pode ser visto na maneira como governam estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Serra e o PSDB têm uma visão de política externa e ela pode ser vista nas declarações do candidato contra o Mercosul, contra a Bolívia e em defesa da retomada da idéia da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) com os Estados Unidos. O discurso do PSDB propondo o corte de gastos públicos também aponta para uma agenda que é aquela que vem sendo imposta agora pelo FMI a diversos países europeus. No entanto, diante do êxito das políticas do governo Lula, interna e externamente, não há espaço político para que Serra defenda essas idéias de claro e transparente. Essa é uma das causas políticas reais das incríveis dificuldades políticas da candidatura tucana. Falta espaço de debate político, sobra truculência e desencontro.

Esse cenário, obviamente, favorece a candidatura de Dilma Rousseff, que já ultrapassou Serra nas pesquisas e abriu uma vantagem de cinco pontos. A principal vantagem de Dilma, na verdade, é a existência de um programa ancorado em políticas que vem sendo implementadas (e aprovadas) pela população. Do outro lado, o que Serra está oferecendo? Até aqui a promessa de que se preparou a vida inteira para ser presidente e uma sucessão de trapalhadas na condução da própria campanha. Considerando esse contexto, a candidatura Dilma parece ter dois potenciais adversários principais: a soberba, acreditar que a eleição já está ganha e passar a cometer erros em função disso; uma possível truculência do campo adversário que, diante deste quadro desfavorável e do desejo expresso do candidato (“Agora, trata-se, sobretudo, de vencer”, repete Serra), pode partir para o vale-tudo, deixando definitivamente a política de lado.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

TEMOS CANDIDATO AO GOVERNO DO PARANÁ!!!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Osmar Dias é candidato ao governo do Paraná

A novela da candidatura ou não do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná pode ter tido seu último capítulo na noite de ontem. Depois de quase três horas de reunião com o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, Osmar, enfim, comunicou aos prefeitos e deputados do PDT que será candidato ao governo do Paraná. O anúncio oficial, no entanto, só ocorrerá hoje, após a formalização da aliança com PT e PMDB.


Da reunião na sede estadual do PDT, Osmar e Lupi partiram para a casa do governador Orlando Pessuti (PMDB), para comunicá-lo pessoalmente da decisão. A desistência de Pessuti em disputar a reeleição é uma das condições para a formalização da aliança.

Ao governador, caberá a indicação do nome do candidato a vice-governador na chapa que terá, ainda, Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) como candidatos ao Senado. Com a confirmação da aliança, PT, PDT e PMDB também deverão estar juntos nas eleições proporcionais, coligados com, até, outros cinco partidos.

“Acabou a angústia. Temos candidato do PDT ao governo do Estado. Osmar e Lupi já comunicaram a todos os prefeitos do PDT de que ele (Osmar) será nosso candidato. Agora não tem volta”, disse o prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT).

Na reunião da noite de ontem, o ex-governador Mário Pereira (PDT) também foi confirmado como o coordenador da campanha de Osmar Dias. A novela sobre a candidatura de Osmar Dias é uma das mais longas da política paranaense.

Anunciado como pré-candidato ao governo logo após a derrota para Roberto Requião em 2006, quando perdeu o segundo turno por 10 mil votos, Osmar vinha trabalhando sua candidatura ao lado de seus aliados tradicionais no Estado, PSDB, DEM e PPS, até o fim das eleições municipais de 2008, quando apoiou a reeleição de Beto Richa (PSDB) à prefeitura de Curitiba.

Com a votação histórica alcançada por Beto nas eleições municipais, o PSDB passou a trabalhar a candidatura própria do tucano e Osmar foi buscar novos aliados, passando a ser o candidato preferido do presidente Lula (PT) e da candidata petista à presidência, Dilma Rousseff, no Paraná.

O senador hesitou em trocar de palanque e, ao mesmo tempo em que travava uma difícil negociação com PT e PMDB, estudava uma proposta para ser candidato ao Senado na chapa de Beto.

Quando estava decidido a disputar o governo pela base de Lula e com a aliança pronta para ser fechada, Osmar foi surpreendido com o convite recebido por seu irmão, Álvaro Dias (PSDB), para ser candidato a vice-presidente de José Serra (PSDB) e suspendeu o anúncio da candidatura, alegando que estaria exposto a um enorme constrangimento sendo adversário do próprio irmão e argumentando que o eleitor não entenderia uma disputa em família.

A vinda de Lupi foi fundamental para a decisão do senador. Segundo convencionais pedetistas que participaram da reunião, Lupi explicitou, mais uma vez, que o PDT nacional havia fechado questão no apoio a Dilma, que não autorizaria coligação com o PSDB e que conquistar o governo do Paraná era uma das prioridades do partido, já que Osmar aparece com mais de 30% das intenções de votos em todas as pesquisas registradas este ano na Justiça Eleitoral.

Lupi disse a Osmar que não havia como esperar pela definição do vice de Serra, já que hoje é o último dia para a o fechamento das convenções e vários outros partidos dependiam da decisão do PDT e salientou que não via nenhuma incoerência em Osmar ser candidato ao governo mesmo com Álvaro sendo vice do Serra, uma vez que, frisou, “ninguém vota em vice”. Osmar saiu da reunião com o compromisso de disputar o governo independente do futuro de Alvaro.

fonte: paranaonline

domingo, 27 de junho de 2010

LECI BRANDÃO CANDIDATA!!!

Candidata pelo PCdoB, Leci Brandão diz que já fez música para Marina

Por: Priscila Tieppo



Nome consagrado no samba brasileiro, Leci Brandão aceitou o desafio de candidatar-se a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo. A cantora recebeu o convite do vereador e candidato ao Senado Netinho de Paula para filiar-se ao PCdoB e entrar na política. Aos 66 anos, a carioca, nascida em Madureira, diz querer o cargo de deputada estadual para levantar temas referentes ao preconceito e à justiça social.



Além de elogiar Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência, a cantora também disse ser fã de Marina Silva, do PV, e contou que já fez uma música para a ex-senadora.



Confira a entrevista com Leci Brandão na íntegra:

Terra: Por que você decidiu se filiar ao PCdoB e concorrer ao cargo de deputada estadual?
Leci Brandão: Sempre defendi todo tipo de cidadania, sou contra todo tipo de preconceito, sempre tive músicas contra o racismo, pelo MST, pelos índios, contra a fome, participei das Diretas Já, sempre fui engajada. As pessoas falavam o meu nome, achavam que eu tinha capacidade, daí o Netinho de Paula, em uma reunião que nós tivemos na sede estadual, me disse que eu só não tive um mandato, mas sempre fui muito política e que sempre demonstrei preocupação com os problemas da sociedade brasileira menos favorecida. O meu público é o povão e eu resolvi aceitar esse desafio.



Terra: Você tem um histórico de shows em atos políticos.
Leci Brandão: Principalmente os dos partidos de esquerda.



Terra: Você costuma escolher os eventos, se oferece, ou sempre foi convidada?
Leci Brandão: Sempre fui convidada. Eu sempre me ofereço quando são eventos beneficentes. Ao longo da minha carreira eu sempre batalhei ao lado de ações que tem a ver com as causas sociais. É muito difícil alguém me convidar para eventos que não sejam de esquerda, porque eu sempre fui muito transparente. Por causa disso, eu já tive problemas dentro da mídia, de ficar cinco anos sem gravar, de não participar de alguns programas com outros sambistas porque tinham medo de que eu falasse alguma coisa política.



Terra: Teve algum programa que você não participou e que te marcou, por achar injusto?
Leci Brandão: Eu não vou nem citar para não dar problema e nem ficar divulgando esses programas, estes produtores, entendeu? Mas o povo percebe e diz: "você sempre tem tanta coisa a dizer, por que não está lá?". Mas é uma opção do programa.



Terra: Qual é a principal bandeira que você levantará na sua campanha?
Leci Brandão: A minha bandeira é sempre as classes menos favorecidas. Além disso, defendo os direitos humanos, a justiça social, a negritude. Não é à toa que me chamaram para fazer parte do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, na gestão da Matilde Ribeiro Secretaria da Igualdade Racial. Aí, continuei, porque o ministro Edson Santos pediu e agora eu vou ter que sair porque vou me candidatar.



Terra: Acha que as mulheres e os negros ainda são muito discriminados na sociedade?
Leci Brandão: A questão do negro é claro que existe, embora exista o discurso hipócrita de que o Brasil tem preconceito social e não racial, mas quem é negro sabe que isso é uma falácia. Existe sim e tem o institucionalizado que é o pior. É difícil ver negros em cargos de direção, como gerentes de banco privado, comandantes nas companhias áreas. Se você observar os negros em destaque são jogadores de futebol ou artistas. Mas eu quero ver os negros médicos, arquitetos. Aí, as pessoas perguntam por que eles não conseguem, eles são burros? Não, não é isso. Para entrar em uma universidade pública, é muito difícil.



Terra: Você é a favor das cotas?
Leci Brandão: Sim, eu acho que as cotas resolveriam o grande problema de inclusão nessas profissões liberais. Raramente você vê negros na medicina, você vê auxiliares de enfermagem, mas médicos não.



Terra: E na política?
Leci Brandão: Na política também tem poucos políticos negros. Porque se você olhar na população brasileira o percentual de negros que tem e a quantidade que têm no Congresso Nacional é pouco. Você não vê na Assembleia Legislativa de São Paulo, que tem 94 deputados.



Terra: Como avalia a candidatura de Netinho de Paula para o Senado? Ele está preparado para o cargo?
Leci Brandão: Sim, até porque ele está fazendo um mandato como vereador que é elogiado por muita gente. Ele é um cara muito interessado, conversa muito com os outros vereadores, para procurar ter mais sabedoria, porque ele é um cara muito inteligente. Ele está fazendo uma política séria, comprometida, está estudando mais, ele está fazendo faculdade inclusive. O Netinho está demonstrando que está dando conta do recado. Ele quer ser senador, é um sonho dele e ele quer provar que pode fazer muita coisa e provar que um cara pobre, negro, pode ser um senador com competência.



Terra: Você acha que os artistas ainda sofrem preconceitos por tentar cargos públicos?
Leci Brandão: O preconceito existe. É o povo que fica sempre com o pé atrás e pergunta: "o que esse artista vai fazer lá?" Eu, graças a Deus, tenho o apoio das pessoas para a minha candidatura, porque eles dizem: "a Leci sempre foi uma militante". Na verdade, o espanto é porque eu vou ser candidata e eu sempre disse que não queria ser.



Terra: Você acredita que a sua posição é diferente dos outros candidatos porque sempre esteve na condição de militante.
Leci Brandão: O povo, pelo menos, vê isso dessa forma. São as pessoas que estão dizendo: "a Leci é uma pessoa séria, a Leci eu conheço e sempre conversou com seu público". Eu sempre falo coisas sérias no meu palco, eu falo mesmo, falo até demais.



Terra: E a classe artística, tem te apoiado?
Leci Brandão: Eu já recebi apoio da Paula Lima, do Reinaldo, do Mano Brown, do Rappin Hood, de vários intérpretes de escolas de samba de São Paulo, do Jorge Aragão, da Zélia Duncan. Bom, essas pessoas já disseram que estão apoiando a candidatura, falaram naturalmente, sem divulgar nada, ficaram sabendo e se manifestaram. Eu não saí propagando isso.



Terra: O PCdoB, que é seu partido, faz parte da base aliada do PT. Como você avalia a candidatura de Dilma Rousseff?
Leci Brandão: Eu acho uma coisa muito importante, primeiro por ser mulher, porque a participação da mulher no Brasil está se valorizando mais. Eu tive o prazer de conhecer a Dilma em uma homenagem que recebi no Senado federal, por meus serviços prestados a sociedade e ela fez um discurso maravilhoso. Eu não sabia que ela sacava a minha história. Mas antes disso, eu já a admirava porque ela é uma mulher que foi presa, foi torturada e sempre lutou, é uma mulher inteligente e é uma pessoa que demonstra um grande conhecimento do País. Eu confio na Dilma, ela é uma pessoa séria. Mas é claro que a mídia que é contra ela, fica ocupando espaço para falar da roupa, do cabelo, que ela é gorda, acho isso muito medíocre, é um horror, é uma coisa preconceituosa, de gente que só quer saber de estética.



Terra: Mas estas críticas são da mídia no geral?
Leci Brandão: É da mídia que é contra o Lula, que é contra a candidatura da Dilma. Existe uma mídia que é forte no Brasil, que tem poder e que não é favorável. O que puder falar vai falar.



Terra: Por outro lado, a Marina Silva também concorre à presidência. Acha que ela está sofrendo o mesmo preconceito que Dilma?
Leci Brandão: De vez em quando falam da Marina, só porque é mulher e fica essa coisa horrorosa. Eu sou fã da Marina e da vida dela, já fiz uma música para ela quando ela foi senadora. Eu acho a Marina demais, porque ela tem uma história linda, ela veio da seringueira. Ela é muito inteligente.



Terra: E Dilma, também vai ganhar uma música?
Leci Brandão: Quem sabe, né? (risos)



Terra: O PT já havia feito algum convite para você se filiar?
Leci Brandão: Nunca ninguém me convidou não, mas sei que eles gostam de mim. O primeiro convite foi do Netinho mesmo.



Terra: Leci, você tem algum plano de governo ou temas que pretende abordar na Assembleia?
Leci Brandão: São necessários projetos para que as pessoas pobres e da periferia possam ter oportunidades, condições de estudar mais, de poder se formar no curso superior, para mudar o quadro no Brasil. Tem a questão cultural, fazer com que a cultura popular tenha mais espaço. A questão da saúde da mulher, da anemia falciforme. E o problema da habitação, porque eu vi que muita gente ficou desabrigada, com doenças, por que fizeram casas onde não podia ser feito. E outra coisa que eu queria falar é sobre a abordagem policial com os jovens negros. A filosofia da segurança pública em São Paulo é extremamente racista. Outros temas importantes são a intolerância religiosa e a homofobia.



Terra: Se você vencer o pleito de outubro, como conciliará a vida artística e a política?
Leci Brandão: Eu sou uma pessoa que faço shows de forma normal, não faço show a toda hora, não sou superstar e nem celebridade. As apresentações são mais aos finais de semana. Vai dar para associar, até porque quero deixar claro que eu não vou encerrar a minha carreira, pois foi a música foi a válvula propulsora para realizar tudo que realizei.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

GUERRILHEIROS DA COMUNICAÇÃO: UNI-VOS!!!

A GUERRILHA DA INFORMAÇÃO


MAIR PENA NETO



O poder da internet, com suas redes sociais, tem se revelado um fenômeno extremamente interessante, que deixa de lado a alienação da informação instantânea e se aproxima da guerrilha semiológica do texto de Umberto Eco no sentido de apropriação de um “instrumento extremamente potente” que interfere na comunicação de massa.

O Brasil, com sua enorme adesão ao uso da internet e às novas tecnologias de informação, está criando situações exemplares de interferência dinâmica na comunicação, com os antigos receptores deixando seu papel passivo para se tornarem produtores ativos de informação.

O tempo real, que transformava a notícia em commodity nas mãos de seus produtores, e mesmo ferramentas como o twitter, que José Saramago ironizou ao comparar seus 140 caracteres como o retorno ao grunhido, ganham nova conotação com a sua apropriação para fins de interferência política em seu sentido mais amplo.

Essa possibilidade de intervenção na realidade, que aconteceu no caso da propaganda dos 45 anos da TV Globo e sua associação (in)direta com a campanha de José Serra e que vem se manifestando numa vigilância permanente do comportamento midiático na atual eleição presidencial, ganhou exposição ainda maior no atual conflito entre a Globo e o técnico da seleção brasileira na Copa do Mundo.

O que era para ter sido um episódio comum, discussão entre técnico e jornalistas, mesmo que com uso de palavrões reprováveis, ganhou outra dimensão, quando a blogosfera identificou na condenação exacerbada da Globo uma vingança da emissora contra Dunga, que vinha eliminando seus privilégios no acesso à seleção.

A origem de toda a controvérsia, por sinal, foi apontada inicialmente na blogosfera. Um dia antes que alguns sites ligados aos meios de comunicação tradicionais dissessem ter identificado a raiz do problema, vários blogs já tinham contado que a Globo tentara conseguir entrevistas coletivas por intermédio do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e que Dunga ignorara memorando que lhe foi entregue neste sentido, chegando a rasgá-lo.

Como o editorial que a Globo fez ser lido em todos os seus veículos foi desmascarado como vingança, Dunga passou a contar com a solidariedade que não teve em nenhum momento de sua trajetória de treinador da seleção. Ninguém saiu em defesa de sua atitude na entrevista coletiva em que murmurou palavras ofensivas contra um jornalista da emissora, mas, sim, foi apontada a campanha orquestrada contra o treinador por causas alheias ao comportamento do time em campo.

A maneira das pessoas externarem sua indignação é imprevisível. A reação começou no twitter com uma mensagem que se tornou recordista no microblog , “cala a boca Tadeu Schmidt”, referência ao jornalista da Globo que primeiro leu a mensagem contra Dunga preparada pela emissora, e se estendeu a um movimento “Dia sem Globo”, que propõe um boicote à transmissão do jogo entre Brasil e Portugal nos canais da rede.

O significado dessa reação é muito revelador no modo de fazer e consumir informação. A mídia está sendo definitivamente mudada. Com as novas tecnologias, ninguém tem mais a exclusividade da opinião. Como escreveu Eco, “a batalha pela sobrevivência do homem como ser responsável na Era da Comunicação não se vence lá de onde a comunicação parte mas lá onde chega.” Parafraseando o escritor e semiólogo italiano, poderíamos dizer que o universo da comunicação tecnológica já está sendo atravessado por guerrilheiros da comunicação com uma dimensão crítica da recepção passiva.

sábado, 19 de junho de 2010

Aumento de salário Prefeito Curitiba.wmv

ABDIAS NASCIMENTO CONCORRE AO NOBEL DA PAZ 2010!!!

Em Debate

Por: PLÍNIO FRAGA

Pouco ousado, Lula não foi até o fim contra racismo

INDICADO AO NOBEL, LÍDER NEGRO FAZ A DEFESA DE MARINA E DIZ QUE DISCURSO DA MISCIGENAÇÃO É UMA COBERTURA MORAL PARA O PRECONCEITO



No dia 8 de outubro, uma comissão escolhida pelo Parlamento norueguês apontará qual dos 237 indicados receberá o Prêmio Nobel da paz deste ano. Entre eles, o militante do movimento negro Abdias Nascimento, 96.


A indicação ao Nobel é o mais novo item no currículo deste pintor, dramaturgo, escritor, poeta e fundador do Teatro Experimental do Negro em 1944.


Ex-senador pelo PDT (suplente, assumiu duas vezes a vaga de Darcy Ribeiro), Abdias não crê que será o escolhido: "Não acredito em vitória porque depende de uma mobilização muito grande de pessoas importantes para sensibilizar aquele povo de Oslo. E eu não tenho isso".


Recém-recuperado de problemas de saúde, ele mantém o bom humor e o apetite: "Como feijoada, mocotó, picanha. Muita pimenta. No almoço e no jantar."


Adbias recebeu a Folha na sede do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, fundado por ele.



Folha - O Supremo Tribunal Federal decide sobre a constitucionalidade das cotas raciais. O sr. é a favor das cotas?
Abdias Nascimento - Claro. Já que houve restrições é importante que haja também leis que assegurem valores como ingressar na universidade. Em 1946, na Constituinte, eu já falava dessas coisas, de como criar uma forma de ajudar, auxiliar os descendentes de africanos no Brasil.
É preciso dar apoio material objetivo aos afrodescendentes... A abolição não aboliu as restrições econômicas. Aboliu e daí? O que aconteceu? Não aconteceu nada que favorecesse realmente o descendente africano.

Os críticos defendem cotas sociais ou de renda, que beneficiem não só os negros, mas todos os mais pobres.
Os outros não tiveram esse tipo de entrave. Por que é preciso especificamente esse tipo de reparação? A injustiça em cima dos africanos e descendentes continuou mesmo depois da abolição.
A sociedade brasileira nasceu sob o signo do racismo e continua racista até agora.

Então o Estado deve intervir?
São necessárias leis de apoio bem claras. Não foi na lei que se inscreveu que o negro era escravo? Estava lá escrito. Havia políticos defendendo isso no Parlamento.
Não há nada de mais que sejam escritas nas leis do país uma série de garantias para que os negros possam cursar a faculdade, que o negro possa entrar nesta ou naquela carreira, no serviço público. Dos mais de dez ministros do STF só há um negro. Tinha de ter o mesmo número de negros e brancos. Isto é o que seria a Justiça no país.



Há quem diga que o Brasil é miscigenado, e por isso não faria sentido enxergar divisão racial aqui.
Isto é a cretinice brasileira, a falta de caráter, a sem-vergonhice brasileira. Isso vem de longe. Este discurso é para ajudar o Brasil a continuar racista. A continuar a ter a cobertura moral para o racismo. Eles querem até isto.



O sr. acha que o tema racial deveria ser levado à pauta nas eleições? Por quem?
Quem poderia fazer isso, mas não gosta das coisas não convencionais, é a Marina [Silva (PV)]. Mas ela não vai nada além das coisas que são aceitáveis. Estive com ela no Senado e vi que tem caráter para levantar a discussão. Mas falta alguma coisa.



Ela é melhor candidata na sua opinião?
Sem dúvida nenhuma. Tem qualidades e preparo. É de classe humilde, apesar de ter aprendido a ler muito depois de adulta, tem qualidade. Uma das primeiras solidariedades que tive no Senado foi a dela. Todo mundo sabe das minhas posições em defesa da minha raça. E ela não teve medo em vir me abraçar e se colocar à disposição para a ajuda que ela pudesse dar. Não recebi dos outros nenhum apoio.



Como analisa os dois mandatos do governo Lula?
Teve atos que favoreceram os mais humildes, mas foi uma coisa medrosa, não enfrentando os tabus brasileiros. O Lula, sendo humilde, não se negou a dar as mãos às classes humildes, desprestigiadas. Mas foi pouco ousado no geral. Não chegou ao fim das consequências. Nomeou o [Gilberto] Gil ministro, mas tinha de colocar um lutador, um defensor da causa negra. Não teve coragem de colocar um negro aguerrido na linha de frente.



Obama é criticado por muitos por não fazer um discurso constante de reafirmação de sua cor. Concorda com esse tipo de crítica?
Não. Isso é coisa secundária. A função dele é delicada e ele tem que falar para os dois lados que votaram nele. Tem de falar para toda a nação, composta de gente de várias raças, várias misturas. Está certo. Não precisa estar a todo instante reafirmando sua origem. Está na cara.
Ele falou que o Lula é o cara, mas ele também é o cara. Não precisa ficar lembrando a todo momento que tem estas e estas origens.

ODE AO FILHO DA TORTURA!!!

Debate

Por: CÁSSIO SCHUBSKY



Os escritos e exemplos de Luiz Gama são legados de um tempo que não acabou: a tortura no Brasil continua impune, corroendo presídios




Com sua pena afiada e cirúrgica, Darcy Ribeiro foi ao ponto, ao descrever a escravidão no Brasil como uma "máquina de moer carne humana". Séculos de sevícias não se esquecem facilmente. Índios dizimados e enterrados em todos os recantos do país impedem que se transforme a história do Brasil num conto de fadas de concórdia e fantasia. Sertanejos de Canudos. Trabalhadores de Eldorado do Carajás. Presos do Carandiru.


Ironia do destino nos armou o centenário da Revolta da Chibata. Em 1910, os marinheiros, em plena República, estrugiram contra a sanha dos açoites impingidos como castigo aos trabalhadores do mar, sob o comando da Marinha.


Agora, em 2010, cem anos depois, ministros do Supremo Tribunal Federal transformaram a fundamentação histórica de seus julgados sobre anistia a torturadores da ditadura em história da carochinha, ao fabularem um brasileiro pacífico e cordato, amigo do acordo, a justificar a impunidade. Sejam feitas as ressalvas aos preclaros ministros Carlos Ayres Britto e Enrique Ricardo Lewandowski.


A história tem mesmo o condão de nos pregar peças... Pois em 21 de junho celebram-se os 180 anos de nascimento de Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882). "A quem a história não esqueceu", mas que vinha recebendo diminuto reconhecimento. Ressaltem-se esforços recentes para trazer à tona os feitos obumbrados de Gama.


Caso do embaixador Rubens Ricupero e do professor Fábio Konder Comparato, por meio de artigos e discursos; ou da pesquisadora Lígia Fonseca Ferreira, com várias obras publicadas; e do historiador e advogado trabalhista Nelson Câmara, que lança agora um livro ("O Advogado dos Escravos"), desvelando os dotes de causídico de Gama, que conseguiu, rábula, a libertação de centenas de escravos, com bem articulados habeas corpus.


Filho da negra liberta Luiza Mahin e de um fidalgo português de identidade desconhecida, o baiano Luiz Gama foi vendido como escravo pelo pai, com dez anos de idade.


Ainda jovem, conquistou a liberdade. Maçom, ativista político, abraçou, com fervor, as causas da abolição e da República, atuando na loja América, com pares como Castro Alves, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. Impedido de estudar direito nas Arcadas, fez-se advogado por si mesmo.


Poeta, jornalista, educador e tribuno, articulou seus afazeres em prol da libertação dos escravos. Seu estilo ferino rendeu-lhe reprimendas várias. Funcionário da polícia paulista, foi exonerado.


Fustigou a magistratura, com picardia, por não respeitarem muitos dos juízes as leis em vigor, que proibiam o tráfico e a própria escravidão, como demonstrou Luiz Gama na Justiça. Poeta engajado, advogado atilado, jornalista cáustico e percuciente, seus escritos e seus exemplos são legados de um tempo que não acabou: a tortura no Brasil continua impune, corroendo delegacias e presídios. Legiões de desesperados minguam prostrados na marginalidade no campo e na cidade.


Em afronta às leis em vigor, a começar da Lei Maior -nossa pisoteada Constituição cidadã.



CÁSSIO SCHUBSKY, 44, editor e historiador, é organizador do livro "Clóvis Beviláqua, um Senhor Brasileiro" (Editora Lettera.doc).

quarta-feira, 16 de junho de 2010

BRASIL SOBERANO VENCE O ENTREGUISMO!!!

Brasil soberano vence o entreguismo
* Janeslei Aparecida Albuquerque

Na madrugada do dia 10 de Junho, o Brasil amanheceu mais soberano e menos colonizado. Tivéssemos nós uma imprensa comprometida com a verdade factual e com os interesses do povo brasileiro, essa notícia teria sido estampada em todas as primeiras páginas dos veículos de comunicação. Mas não. A imprensa do Brasil preferiu tornar-se o maior partido político de oposição do país, e como tal vem agindo sistematicamente. Por isso não pudemos festejar essa vitória da nossa soberania, a maioria do povo nem ficou sabendo do legado que o Governo Lula nos deixa: ".em vez de herdar dívidas, novas gerações ganham uma poupança de até 50 bilhões de barris de petróleo." sob controle do Estado brasileiro. Ao contrário de governos anteriores em que cada um ao sair deixava o país mais pobre, mais espoliado e com dívidas também cada vez maiores.
Com Fernando Henrique Cardoso não foi diferente: após desnacionalizar a economia do Brasil no processo de privatização (batizado muito bem por Elio Gaspari de "privataria"), sob o pretexto de pagar as dívidas deixadas pelos antecessores, legou-nos uma dívida ainda maior. Apesar da liquidação do patrimônio público: Vale do Rio Doce, CSN, Açominas, Embratel, Telebrás, Eletrobrás etc.
No processo de discussão do marco regulatório do pré-sal, o partido de FHC, o PSDB prometia "dificultar ao máximo" a soberania brasileira no pré-sal. Em matéria publicada na epígrafe diária do site Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/), dia 07 de Junho, o tucano Álvaro Dias (PSDB/Pr), prometia:
"Nossa intenção é dificultar o máximo a aprovação dos projetos do pré-sal, porque somos contra o modelo da partilha [ assim como as petroleiras internacionais ] e a forma proposta de capitalização da Petrobras, por meio de 'cessão onerosa' [porque fortalece a dimensão estatal da empresa, tornando mais distante o projeto demotucano de privatizá-la].
Saber e compreender essas movimentações são vitais para compreendermos o que está em jogo no Brasil de hoje. Que projetos estão em disputa. Álvaro Dias falava em nome, não do povo brasileiro, mas das petroleiras estadunidenses cujos interesses representava nos debates do marco regulatório e na definição do sistema de exploração: se de concessão modelo FHC, ou de partilha, modelo Lula/Dilma, pois a ex-Ministra ajudou a construir essa proposta.
"O projeto prevê a capitalização da Petrobrás e destinação de receitas e royalties para a formação de um fundo estatal vinculado a investimentos em educação, ciência, tecnologia, meio ambiente e combate à pobreza e à desigualdade. Pela primeira vez na história desse país, se pensa uma política de exploração dos recursos naturais, vinculados a um projeto de caráter social, científico com vistas a soberania e ao avanço do nosso país à condição da sempre prometida, e nunca cumprida promessa de grande nação. Soberana, rica, com justiça social.
Senado aprova capitalização da Petrobrás de até US$ 60 bi que ampliará a dimensão estatal da empresa, bem como o regime de partilha, pelo qual União é a dona dos campos e contrata serviços de terceiros na exploração soberana das jazidas do pré-sal. Decisão representa derrota para Serra e petroleiras internacionais que lutaram até o fim para adiar votação na expectativa de reverter o quadro político nacional, após as eleições. Novo marco regulador garante à Petrobras o papel de operador único de gigantescas jazidas que podem conter até 50 bilhões de barris, segundo a Agencia Nacional de Petróleo. Estatal brasileira terá, no mínimo, 30% dos novos campos, mas poderá receber do Estado 100% de novas áreas sem licitação. O próximo passo é a criação da Petro-Sal, uma estatal que vai gerenciar todo o processo e garantir o interesse público em cada operação. É a pá de cal na agenda privatizante do petróleo brasileiro aglutinada em torno da candidatura de José Serra. Foi aprovado, ainda, o Fundo Social formado pela capitalização de recursos oriundos de receitas e royalties, vinculados a investimentos em educação, ciência, tecnologia, meio ambiente, combate à pobreza e à desigualdade. Dia 10 de junho de 2010: pela primeira vez, um governo lega às gerações futuras um passaporte de emancipação social, em vez de dívidas, crise e alienação de patrimônio público.
(Carta Maior e a decisão histórica que a mídia demotucana tentou ofuscar destacando emenda inviável sobre royalties, a ser vetada por Lula; 11-06-10).
Diante desse momento e dessa vitória histórica, temos que dizer a nós mesmos e a todo o povo brasileiro: Festejem!!! Festejem!!! O Partido da Imprensa foi derrotado de novo.
Todos os que amamos o Brasil conquistamos nessa linda madrugada de Junho, mais soberania, mais respeito como povo e como país, mais esperança e condições concretas para avançarmos na efetivação de uma Pátria que seja finalmente e de fato mãe para todos os brasileiros nascidos e por nascer.
*Professora de Língua e Literatura, mestre em Educação, secretária Educacional da APP-Sindicato