Convocação para Assembléia Setorial de Livro Leitura e Literatura do Paraná
O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Articulação Institucional – SAI, de acordo com as orientações da Portaria nº 4 de 03 de dezembro e alterações, convidam todos os atores envolvidos nas cadeias produtiva e criativa do livro e mediadora da leitura do Estado do PR para participarem da Assembléia Setorial de Livro, Leitura e Literatura do Paraná.
Os objetivos do encontro são: avaliar o Plano Nacional de Livro e Leitura, eleger três delegados da sociedade civil, obter a indicação da Secretaria de Estado da Cultura para delegado para a Pré- Conferência de Livro, Leitura e Literatura, e propor estratégias do setor, baseadas nos eixos temáticos da II Conferência Nacional de Cultura.
Lembramos que, de acordo com a referida portaria, para participar na condição de delegado(a), deverá o(a) interessado fazer o registro de sua candidatura no site www.cultura.gov.br/cnpc, no campo “inscrição de candidatura para delegação da pré-conferência setorial”.
Para maiores informações, entrar em contato pelo telefone 51-3311-5331 e 61-2024-2628.
A sua presença será fundamental para definir os rumos das políticas públicas culturais do Brasil.
Contamos com sua participação!
Data: 22 de janeiro de 2010
Horário: 9h às 16 h
Local: Auditório da Biblioteca Pública do Paraná- Rua Cândido Lopes, nº133, Centro, Curitiba/PR
Apoio:
Representação Regional Sul do Ministério da Cultura
Biblioteca Pública do Paraná
Fundação Cultural de Curitiba
NA LUTA CONTRA O RETROCESSO E O NEOLIBERALISMO!!!
BATALHAS DE 2010!!!
BLOG DO FAJARDO
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sábado, 16 de janeiro de 2010
2010 COMEÇA NO CHILE!!!
Atenção: a direita ainda não ganhou no Chile!
14 01 2010
Em face do silêncio da mídia em relação ao pleito que acontece domingo (dia 17) no Chile, subitamente a mídia nacional deixou de revelar os dados de pesquisas – logo a mídia nacional que ao final do 1º turno lá fez questãod e mostrar a diferença de quase 20 pontos em favor do ’seu’ candidato lá. Por que? Simples: o candidato dela (direita) ‘lá’, ligado ao ditador Pinochet – empresário e bilionário Sebastián Piñera – está em queda nas pesquisas. Levantamento de ontem, dia 13, ainda aponta sua ‘vitória’, mas a diferença caiu muito nos últimos dias. Hoje em torno de 2%.
Enquanto isso, a campanha do ex-presidente Frei recebeu o reforço, também no dia 13 e sem impacto ainda nas pesquisas: o independente Marco Enriquez-Ominami Gumucio, anunciou oficialmente que está com o ex-presidente da República. O apoio de Ominami marca nova etapa na campanha, uma vez que durante o primeiro turno – em que obteve 14% dos votos – foi um dos críticos mais duros a Frei.
Ou seja: pelo jeito, não vai ser desta vez ainda que os Bóris Casoy da vida vão poder soltar toda frustração acumulada e vociferar doentiamente a frase com que mais sonham: A América Latina está na direita.
Leia abaixo a matéria divulgada hoje pela EBC. Alfredo Bessow
Disputa pela Presidência no Chile será apertada e pode ter surpresas
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A três dias das eleições no Chile, uma pesquisa sobre intenções de voto publicada no jornal La Tercera mostra que a disputa entre os dois candidatos será apertada até o último momento. O empresário e candidato da direita, Sebastián Piñeira (Alianza) leva ligeira vantagem em relação ao governista e esquerdista Eduardo Frei Ruiz (Concertación). Pelos dados, Piñeira obteria 50,9% e Frei 49,1%.
Ontem (13), porém, Frei ganhou um apoio de peso nesta reta final. O candidato derrotado no primeiro turno, o independente Marco Enriquez-Ominami Gumucio, anunciou oficialmente que está com o ex-presidente da República. Ominami atrai o eleitorado insatisfeito com as propostas tradicionais e favorável às ideias de avanços sociais, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O apoio de Ominami marca nova etapa na campanha, uma vez que durante o primeiro turno – em que obteve 14% dos votos – foi um dos críticos mais duros a Frei. Por causa da indicação do ex-presidente pela Concertación, Ominami e o pai, o senador Carlos Ominami, abandonaram a coligação e tornaram-se independentes. A decisão levou à derrota de ambos em dezembro.
Ominami disse que seu apoio a Frei se deve ao fato de haver um “abismo irreconciliável” com a direita, enquanto com parte da Concertación o relacionamento é bom. De acordo com ele, o motivo da decisão foi o fato de o governo da presidente Michelle Bachelet – que apoia Frei – estimular a tramitação no Congresso de projetos que julga fundamentais, como o voto voluntário, o reconhecimento constitucional das águas como bem nacional de uso público e o fortalecimento da educação pública.
No próximo domingo (17), cerca de 9 milhões de eleitores irão às urnas nas nove regiões políticas do Chile. A previsão dos organizadores é de que os resultados sejam conhecidos no começo da noite, como ocorreu no primeiro turno em dezembro. Para obter a vitória no primeiro turno, o candidato deve conseguir mais de 50% dos votos.
Ex-presidente do Chile (1994-2000), Frei tenta conquistar os votos dos eleitores e intensifica a campanha em grandes cidades como Talca, Valparaizo e Santiago. Da mesma forma age Piñeira, um dos homens mais ricos do Chile, dono da empresa aérea Lan Chile, da rede de televisão Chile Visión e do time de futebol Colo Colo. Oficialmente, a campanha deles deve ser encerrada hoje (14).
14 01 2010
Em face do silêncio da mídia em relação ao pleito que acontece domingo (dia 17) no Chile, subitamente a mídia nacional deixou de revelar os dados de pesquisas – logo a mídia nacional que ao final do 1º turno lá fez questãod e mostrar a diferença de quase 20 pontos em favor do ’seu’ candidato lá. Por que? Simples: o candidato dela (direita) ‘lá’, ligado ao ditador Pinochet – empresário e bilionário Sebastián Piñera – está em queda nas pesquisas. Levantamento de ontem, dia 13, ainda aponta sua ‘vitória’, mas a diferença caiu muito nos últimos dias. Hoje em torno de 2%.
Enquanto isso, a campanha do ex-presidente Frei recebeu o reforço, também no dia 13 e sem impacto ainda nas pesquisas: o independente Marco Enriquez-Ominami Gumucio, anunciou oficialmente que está com o ex-presidente da República. O apoio de Ominami marca nova etapa na campanha, uma vez que durante o primeiro turno – em que obteve 14% dos votos – foi um dos críticos mais duros a Frei.
Ou seja: pelo jeito, não vai ser desta vez ainda que os Bóris Casoy da vida vão poder soltar toda frustração acumulada e vociferar doentiamente a frase com que mais sonham: A América Latina está na direita.
Leia abaixo a matéria divulgada hoje pela EBC. Alfredo Bessow
Disputa pela Presidência no Chile será apertada e pode ter surpresas
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A três dias das eleições no Chile, uma pesquisa sobre intenções de voto publicada no jornal La Tercera mostra que a disputa entre os dois candidatos será apertada até o último momento. O empresário e candidato da direita, Sebastián Piñeira (Alianza) leva ligeira vantagem em relação ao governista e esquerdista Eduardo Frei Ruiz (Concertación). Pelos dados, Piñeira obteria 50,9% e Frei 49,1%.
Ontem (13), porém, Frei ganhou um apoio de peso nesta reta final. O candidato derrotado no primeiro turno, o independente Marco Enriquez-Ominami Gumucio, anunciou oficialmente que está com o ex-presidente da República. Ominami atrai o eleitorado insatisfeito com as propostas tradicionais e favorável às ideias de avanços sociais, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O apoio de Ominami marca nova etapa na campanha, uma vez que durante o primeiro turno – em que obteve 14% dos votos – foi um dos críticos mais duros a Frei. Por causa da indicação do ex-presidente pela Concertación, Ominami e o pai, o senador Carlos Ominami, abandonaram a coligação e tornaram-se independentes. A decisão levou à derrota de ambos em dezembro.
Ominami disse que seu apoio a Frei se deve ao fato de haver um “abismo irreconciliável” com a direita, enquanto com parte da Concertación o relacionamento é bom. De acordo com ele, o motivo da decisão foi o fato de o governo da presidente Michelle Bachelet – que apoia Frei – estimular a tramitação no Congresso de projetos que julga fundamentais, como o voto voluntário, o reconhecimento constitucional das águas como bem nacional de uso público e o fortalecimento da educação pública.
No próximo domingo (17), cerca de 9 milhões de eleitores irão às urnas nas nove regiões políticas do Chile. A previsão dos organizadores é de que os resultados sejam conhecidos no começo da noite, como ocorreu no primeiro turno em dezembro. Para obter a vitória no primeiro turno, o candidato deve conseguir mais de 50% dos votos.
Ex-presidente do Chile (1994-2000), Frei tenta conquistar os votos dos eleitores e intensifica a campanha em grandes cidades como Talca, Valparaizo e Santiago. Da mesma forma age Piñeira, um dos homens mais ricos do Chile, dono da empresa aérea Lan Chile, da rede de televisão Chile Visión e do time de futebol Colo Colo. Oficialmente, a campanha deles deve ser encerrada hoje (14).
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A ECONOMIA POLÍTICA DA SAFADEZA!!!
Luiz Gonzaga Belluzzo: a economia política da tragédia
Os deslizamentos de terra assassinos ocorridos entre o Natal e o Réveillon, ao que tudo indica, estão incorporados à rotina do verão brasileiro. Entra ano, sai ano, as festas de muitas famílias brasileiras terminam em luto, em desespero e em saudade.
Por Luiz Gonzaga Belluzzo*, na Folha de S.Paulo
É cômodo atribuir os desastres às vindicações da natureza e suas perversidades. Mas os homens de boa vontade, ambientalistas ou não, compreendem que o fenômeno tem uma dimensão histórica e, portanto, humana, enquanto expressão da ação coletiva de transformação da natureza e da sociedade.
No Brasil, o “desenvolvimentismo” e o processo de urbanização engendrado por ele juntaram o crescimento rápido à especulação imobiliária, ao aumento da desigualdade e à marginalização crescente dos contingentes “expulsos” de seus pagos.
O professor da Unicamp Wilson Cano, ainda nos anos 70, avaliou de forma profética os efeitos da expulsão de migrantes para as urbes do Sudeste. As cidades não cresciam, inchavam. Inchaço produzido pela incapacidade das políticas de Estado em lidar, na origem, com os desequilíbrios regionais — sobretudo com a questão agrária — e, no destino, de enfrentar a selvageria dos interesses cobiçosos.
A urbanização caótica é a face moderna de uma estrutura agrária arcaica, fenômeno já apontado por Inácio Rangel e Francisco de Oliveira. Essa dualidade contraditória resistiu bravamente às experiências dos países ocidentais no pós-Guerra, que cuidaram de promover a democratização da propriedade urbana e rural. Por isso, em todas as etapas, inclusive agora, as políticas de ocupação do solo, zoneamento e proteção de mananciais são sistematicamente violadas, seja pelo ímpeto dos empreendedores imobiliários, seja pelo desespero dos migrantes despossuídos.
As criaturas dessa urbanização patológica projetam seus espectros no cotidiano vivido pelos brasileiros nos dias atuais. A desregrada ocupação do solo, a favelização, a desconstituição familiar, a marginalidade social, a desorganização dos sistemas de transporte público e a decadência do sistema educacional, particularmente do ensino básico, são frutos da mesma árvore.
Esse arranjo, típico de uma sociedade de massas periférica, combina ainda, perigosamente, a rápida “internacionalização” dos modos de consumo dos ricos e remediados com a persistência da desigualdade, a despeito dos esforços das políticas sociais dos últimos 15 anos. Daí a deterioração dos padrões de convivência (ou, se quiserem, de urbanidade) nas grandes cidades, culminando nas formas conhecidas de violência urbana (organizadas e desorganizadas), aí incluídas as rotineiras tragédias de verão, um modo de violência preparada em silêncio ao longo dos anos nas encostas ou nos sopés dos morros.
A persistência dessas mazelas não desenha o futuro que muitos antecipam ao projetar um desempenho brilhante da economia. Esse futuro é, sim, possível, mas a nossa experiência histórica comprova que o sucesso econômico está longe de assegurar padrões de convivência civilizados, dignos da cidadania.
* Luiz Gonzaga Belluzzo é professor titular de Economia da Unicamp. Foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda (governo Sarney) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (governo Quércia)
Os deslizamentos de terra assassinos ocorridos entre o Natal e o Réveillon, ao que tudo indica, estão incorporados à rotina do verão brasileiro. Entra ano, sai ano, as festas de muitas famílias brasileiras terminam em luto, em desespero e em saudade.
Por Luiz Gonzaga Belluzzo*, na Folha de S.Paulo
É cômodo atribuir os desastres às vindicações da natureza e suas perversidades. Mas os homens de boa vontade, ambientalistas ou não, compreendem que o fenômeno tem uma dimensão histórica e, portanto, humana, enquanto expressão da ação coletiva de transformação da natureza e da sociedade.
No Brasil, o “desenvolvimentismo” e o processo de urbanização engendrado por ele juntaram o crescimento rápido à especulação imobiliária, ao aumento da desigualdade e à marginalização crescente dos contingentes “expulsos” de seus pagos.
O professor da Unicamp Wilson Cano, ainda nos anos 70, avaliou de forma profética os efeitos da expulsão de migrantes para as urbes do Sudeste. As cidades não cresciam, inchavam. Inchaço produzido pela incapacidade das políticas de Estado em lidar, na origem, com os desequilíbrios regionais — sobretudo com a questão agrária — e, no destino, de enfrentar a selvageria dos interesses cobiçosos.
A urbanização caótica é a face moderna de uma estrutura agrária arcaica, fenômeno já apontado por Inácio Rangel e Francisco de Oliveira. Essa dualidade contraditória resistiu bravamente às experiências dos países ocidentais no pós-Guerra, que cuidaram de promover a democratização da propriedade urbana e rural. Por isso, em todas as etapas, inclusive agora, as políticas de ocupação do solo, zoneamento e proteção de mananciais são sistematicamente violadas, seja pelo ímpeto dos empreendedores imobiliários, seja pelo desespero dos migrantes despossuídos.
As criaturas dessa urbanização patológica projetam seus espectros no cotidiano vivido pelos brasileiros nos dias atuais. A desregrada ocupação do solo, a favelização, a desconstituição familiar, a marginalidade social, a desorganização dos sistemas de transporte público e a decadência do sistema educacional, particularmente do ensino básico, são frutos da mesma árvore.
Esse arranjo, típico de uma sociedade de massas periférica, combina ainda, perigosamente, a rápida “internacionalização” dos modos de consumo dos ricos e remediados com a persistência da desigualdade, a despeito dos esforços das políticas sociais dos últimos 15 anos. Daí a deterioração dos padrões de convivência (ou, se quiserem, de urbanidade) nas grandes cidades, culminando nas formas conhecidas de violência urbana (organizadas e desorganizadas), aí incluídas as rotineiras tragédias de verão, um modo de violência preparada em silêncio ao longo dos anos nas encostas ou nos sopés dos morros.
A persistência dessas mazelas não desenha o futuro que muitos antecipam ao projetar um desempenho brilhante da economia. Esse futuro é, sim, possível, mas a nossa experiência histórica comprova que o sucesso econômico está longe de assegurar padrões de convivência civilizados, dignos da cidadania.
* Luiz Gonzaga Belluzzo é professor titular de Economia da Unicamp. Foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda (governo Sarney) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (governo Quércia)
Serra/Kassab AFUNDAM SÃO PAULO EM PLANEJAMENTO EXECUTADO COM SAFADEZA!!!
ESTA ANÁLISE FOI PUBLICADA PELO AUGUSTO DA FONSECA NO BLOG:http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/2010/01/10/projeto-de-controle-de-inundacoes-da-prefeitura-de-sao-paulo-numeros-atestam-abandono/#respond
Projeto de controle de inundações da Prefeitura de São Paulo: números atestam abandono
Eu prometi fuçar os números da Prefeitura e do Governo de São Paulo, para avaliar se os dois governos têm investido os valores orçados anualmente no controle das inundações.
Hoje, trago os números do projeto “Ação Centro BID – Controle de Inundações“.
Segundo o site da Prefeitura/SP, “o programa tem a finalidade de promover o desenvolvimento social e econômico com diversidade da Área Central de São Paulo, dinamizando e criando condições de atração e suporte de atividades compatíveis com o centro metropolitano e promovendo a reabilitação urbanística e ambiental da área, com inclusão social.
O programa foi aprovado junto ao BID em outubro de 2003 e dispõe de um total de US $ 168 milhões de de recursos, sendo US $ 100 milhões financiados pelo BID e US $ 68 milhões da PMSP.”
O Controle das Inundações aparece em:
“Recuperação do Ambiente Urbano
Obras emergenciais para recuperação de pisos e passeios públicos na Sub-prefeitura da Sé
Reurbanização completa da Praça do Patriarca
Requalificação de edifícios públicos: Mercado Municipal, Palácio das Indústrias e Biblioteca Mário de Andrade.
Controle de Inundações: construção de dois piscinões e recuperação das galerias de águas pluviais no Vale do Anhangabaú.”
Como se vê, existe um projeto, com recursos definidos, para resolver o problema do Vale do Anhagabaú, que inundou há dias atrás. Na ocasião, o Prefeito prometeu realizar esses dois piscinões, que jã deveriam estar prontos.
A foto que ilustra este post mostra o que foi chamado à época “a calamitosa enchente do Vale do Anhangabau, em 1929″.
De lá para cá, os governos se sucederam, os tucanos nos últimos dezesseis anos, e nada foi feito para resolver ou minimizar a ocorrência desses eventos.
Clique aqui e leia a matéria do G1, com o título “Após alagamento em túnel, Kassab promete piscinão para o Anhangabaú“
Mas como o Prefeito e o Serra acham que piscinão e recuperação das galerias de águas pluviais não dá voto e como, por outro lado, as Organizações Serra não cobram responsabilidades dos dois, essas obras nunca acontecerão…
***
Os números abaixo mostram a pífia execução orçamentária da Prefeitura. Penso que esses recursos dizem respeito à contraparte da Prefeitura. Ainda não consegui encontrar a parte do BID.
Explicação para os neófitos: orçado é o valor aprovado, pela ALESP, na Lei Orçamentária; atualizado é valor a que foi reduzido ou ampliado o valor orçado, pelo Prefeito, durante o ano; empenhado é o valor garantido para a execução dos contratos desse projeto e liquidado é o valor referente ao trabalho realizado pela contratada e que será pago tão logo hajam recursos financeiros disponíveis.
O percentual entre o valor liquidado e o valor orçado dá o grau de eficácia da intenção inicial da Lei Orçamentária.
Como se vê, a melhor execução foi em 2008, com insignificantes 11,7%.
Em 2006 (Prefeito Serra) e 2009 (Prefeito Kassab) a execução foi ZERO.
Ação Centro BID – Controle de Inundações Orçado Atualizado Empenhado Liquidado % Liquidado/
Orçado
2009 8.732.500 8.732.500 0 0 0,0
2008 13.666.293 4.995.774 2.286.217 1.596.899 11,7
2007 20.040.000 9.113.104 1.877.710 1.516.676 7,6
2006 39.574.566 0 0 0 0,0
Projeto de controle de inundações da Prefeitura de São Paulo: números atestam abandono
Eu prometi fuçar os números da Prefeitura e do Governo de São Paulo, para avaliar se os dois governos têm investido os valores orçados anualmente no controle das inundações.
Hoje, trago os números do projeto “Ação Centro BID – Controle de Inundações“.
Segundo o site da Prefeitura/SP, “o programa tem a finalidade de promover o desenvolvimento social e econômico com diversidade da Área Central de São Paulo, dinamizando e criando condições de atração e suporte de atividades compatíveis com o centro metropolitano e promovendo a reabilitação urbanística e ambiental da área, com inclusão social.
O programa foi aprovado junto ao BID em outubro de 2003 e dispõe de um total de US $ 168 milhões de de recursos, sendo US $ 100 milhões financiados pelo BID e US $ 68 milhões da PMSP.”
O Controle das Inundações aparece em:
“Recuperação do Ambiente Urbano
Obras emergenciais para recuperação de pisos e passeios públicos na Sub-prefeitura da Sé
Reurbanização completa da Praça do Patriarca
Requalificação de edifícios públicos: Mercado Municipal, Palácio das Indústrias e Biblioteca Mário de Andrade.
Controle de Inundações: construção de dois piscinões e recuperação das galerias de águas pluviais no Vale do Anhangabaú.”
Como se vê, existe um projeto, com recursos definidos, para resolver o problema do Vale do Anhagabaú, que inundou há dias atrás. Na ocasião, o Prefeito prometeu realizar esses dois piscinões, que jã deveriam estar prontos.
A foto que ilustra este post mostra o que foi chamado à época “a calamitosa enchente do Vale do Anhangabau, em 1929″.
De lá para cá, os governos se sucederam, os tucanos nos últimos dezesseis anos, e nada foi feito para resolver ou minimizar a ocorrência desses eventos.
Clique aqui e leia a matéria do G1, com o título “Após alagamento em túnel, Kassab promete piscinão para o Anhangabaú“
Mas como o Prefeito e o Serra acham que piscinão e recuperação das galerias de águas pluviais não dá voto e como, por outro lado, as Organizações Serra não cobram responsabilidades dos dois, essas obras nunca acontecerão…
***
Os números abaixo mostram a pífia execução orçamentária da Prefeitura. Penso que esses recursos dizem respeito à contraparte da Prefeitura. Ainda não consegui encontrar a parte do BID.
Explicação para os neófitos: orçado é o valor aprovado, pela ALESP, na Lei Orçamentária; atualizado é valor a que foi reduzido ou ampliado o valor orçado, pelo Prefeito, durante o ano; empenhado é o valor garantido para a execução dos contratos desse projeto e liquidado é o valor referente ao trabalho realizado pela contratada e que será pago tão logo hajam recursos financeiros disponíveis.
O percentual entre o valor liquidado e o valor orçado dá o grau de eficácia da intenção inicial da Lei Orçamentária.
Como se vê, a melhor execução foi em 2008, com insignificantes 11,7%.
Em 2006 (Prefeito Serra) e 2009 (Prefeito Kassab) a execução foi ZERO.
Ação Centro BID – Controle de Inundações Orçado Atualizado Empenhado Liquidado % Liquidado/
Orçado
2009 8.732.500 8.732.500 0 0 0,0
2008 13.666.293 4.995.774 2.286.217 1.596.899 11,7
2007 20.040.000 9.113.104 1.877.710 1.516.676 7,6
2006 39.574.566 0 0 0 0,0
sábado, 9 de janeiro de 2010
ALGUMAS UTILIDADES DO TWITTER!!!
09 de janeiro
ALGUMAS UTILIDADES DO TWITTER!!!
Digital
As cinco funções do Twitter
Veja quais são, no mínimo, as utilidades desta ferramenta, que rapidamente se populariza e ganha espaço na internet.
Com o boom de popularidade do Twitter, na esteira da entrada da Oprah no microblog nos States e da reportagem do Fantástico no Brasil, elevou-se também a rejeição à ferramenta, dos que a acusam de inútil a um ralo de tempo com superpoder de sucção e entupido pelo excesso de informações. E, no meio do tiroteio, uma pergunta não cala: o Twitter serve para alguma coisa? Se sim, para quê?
Venho utilizando o Twitter desde o final do ano passado e queria me arriscar a falar de cinco funções mais universais, e bem definidas, que encontrei ali e que fizeram com que me apegasse a ele:
1) Sentido instantâneo de comunidade.
2) Manifestação (e observação) da individualidade.
3) Comunicação rápida e eficaz.
4) Laboratório.
5) Fonte potencialmente valiosa de informações e aprendizado.
Depois do jump, a explicação.
1) Sentido instantâneo de comunidade.
Em todas as outras redes sociais, as atividades precisam de um mínimo de organização, fóruns etc. No Twitter, você consegue entrar em alguma ação comunitária facilmente. Hoje, por exemplo, foi twoonday ali, o dia em que todos os avatares deveriam ser substituídos por um cartoon, um personagem alter-ego. Eu fui observando os avatares se transformarem até que entendi –e demorei para fazer a mudança por falta de tempo mas acabei virando a Pinky Dinky Doo por um dia. As retuitadas de posts igualmente “cimentam” esses tijolos comunitários. Outra ferramenta de construção comunitária é a #followFriday, que é quando alguém fica sugerindo pessoas para os outros seguirem, sempre às sextas-feiras. E compartilhar música (geralmente pela dupla Blip.fm e Twitter) também entra nesse item, assim como a torcida pelo meu time do coração, o São Paulo, no jogo da Libertadores (que é o que importa - rsrs), que eu pude estender até a quem estava lá no estádio.
2) Manifestação (e observação) da individualidade.
Tenho visto mais e mais pessoas buscando a diferenciação (ou exercitando-a) no Twitter –geralmente, na base do humor. Como esse carinha, que diz em sua Bio: Estudante de Direito. Sigo quem me segue, não sigo quem não me segue. Salvo poucas exceções, só leio Direct Messages. Portanto, FOLLOW ME!!!” –embora ele siga mais de 200 neguinhos e tenha só 45 seguidores. Ou todos os exemplos malucos citados pela Robi Carusi nesse post e nesse. Ou os avatares mutantes, que vão se transformando em personagens. Ou os microcontos, exibindo o talento literário de cada um, o que pode ser conferido no tag #140. Pense bem: o Twitter é um palco, ou uma vitrine, como o BBB, mas as pessoas precisam ter algum valor real ali para atrair público, diferentemente do BBB. Rendendo um voyeurismo muito mais de resultados. O Orkut e outras redes sociais também têm essa pegada, claro, mas o Twitter acelera o processo e faz com que se cruzem mais as fronteiras das diferentes comunidades.
3) Comunicação rápida e eficaz.
Pessoas que possuem meu telefone e meu email têm diversas vezes preferido falar comigo pelo Twitter, tanto em mensagens abertas (que os outros também podem ler) como em mensagens diretas. Fiquei me perguntando por quê, principalmente no caso número 2. Concluí que isso está relacionado com a forma de comunicação do Twitter (mensagens rápidas; o limite de 140 caracteres automaticamente justifica o fato de serem breves) e também com o fato de que as pessoas se sentem mais próximas e conectadas com o outro sabendo que estão todos aninhados sob as asas do Twitter (um pouco como acontece com o Messenger talvez). Como se a resposta a um contato ficasse mais garantida assim.
4) Laboratório (para inovar, inclusive).
O Twitter é excelente para lançar ideias e ver como as pessoas reagem. Um exemplo bem básico: você quer escrever um post, mas tem dúvida sobre se ele vai interessar? Solta um teaser lá para sentir se repercute. É engraçado perceber como alguns temas têm retorno imediato e outros passam batido. Eu ando numa fase de pôr frases de grandes escritores lá, um tempero de literatura. O Oscar Wilde teve boa resposta, por exemplo, mas o Nelson Rodrigues nada. Se eu fosse uma produtora e estivesse na dúvida entre os dois autores, ou entre os dois estilos, para fazer alguma produção, isso já poderia influenciar a minha decisão. Dá para fazer muito laboratório para valer se você tiver uma boa rede.
5) Fonte de informações e aprendizado.
Tanto de fontes qualificadas, profissionais (especialistas, empresas, sites noticiosos) como de amigos e de pessoas comuns. O Twitter é uma fonte riquíssima, basta montar um bom mix de following folks!!! Quanto às fontes qualificadas, por exemplo, vou dar o exemplo da área de gestão de empresas: já estão lá os melhores veículos (tipo Wired, Fast Company e nós aqui da HSM) e os maiores especialistas –só não segue quem não quer. É como se você montasse um NetVibes no Twitter, e com mais facilidade. Sobre os amigos, é o jeito mais fácil de compartilhar as pequenas descobertas do dia a dia (um novo aplicativo, uma liquidação de loja) e os follow-ups (saber se o filho da amiga sarou da caxumba) –bem melhor que msn (é bem menos invasivo), e-mail ou blog (duas opções mais demoradas). Poderia ter escrito isso também na parte da comunicação rápida e eficaz, relativo a mensagens abertas.
Sobre as fontes comuns, o Marcelo “Bauducco” Pereira da Silva as definiu bem: “Eu acho o Twitter útil pra entender melhor as pessoas e seus valores. Aquelas mensagens tipo ‘bom dia’ que todo mundo acha levianas. É bem interessante (para) tentar compreender o que leva as pessoas à ação através do comportamento e amenidades”. Leia-se “entender o consumidor:. Sem falar nas reflexões e sacadas das pessoas sobre a vida, que você pode ter o privilégio de compartilhar. Hoje o updater Alexandre Inagaki, outro hard user, retransmitiu o comentário de alguém que disse “as frases pessoais de msn são as novas placas de parachoque de caminhão”. Está coberta de razão a autora da frase, não está?
Fora essas funções, cada um pode encontrar a sua própria.
Por Adriana Salles Gomes (editora da revista HSM Management)
ALGUMAS UTILIDADES DO TWITTER!!!
Digital
As cinco funções do Twitter
Veja quais são, no mínimo, as utilidades desta ferramenta, que rapidamente se populariza e ganha espaço na internet.
Com o boom de popularidade do Twitter, na esteira da entrada da Oprah no microblog nos States e da reportagem do Fantástico no Brasil, elevou-se também a rejeição à ferramenta, dos que a acusam de inútil a um ralo de tempo com superpoder de sucção e entupido pelo excesso de informações. E, no meio do tiroteio, uma pergunta não cala: o Twitter serve para alguma coisa? Se sim, para quê?
Venho utilizando o Twitter desde o final do ano passado e queria me arriscar a falar de cinco funções mais universais, e bem definidas, que encontrei ali e que fizeram com que me apegasse a ele:
1) Sentido instantâneo de comunidade.
2) Manifestação (e observação) da individualidade.
3) Comunicação rápida e eficaz.
4) Laboratório.
5) Fonte potencialmente valiosa de informações e aprendizado.
Depois do jump, a explicação.
1) Sentido instantâneo de comunidade.
Em todas as outras redes sociais, as atividades precisam de um mínimo de organização, fóruns etc. No Twitter, você consegue entrar em alguma ação comunitária facilmente. Hoje, por exemplo, foi twoonday ali, o dia em que todos os avatares deveriam ser substituídos por um cartoon, um personagem alter-ego. Eu fui observando os avatares se transformarem até que entendi –e demorei para fazer a mudança por falta de tempo mas acabei virando a Pinky Dinky Doo por um dia. As retuitadas de posts igualmente “cimentam” esses tijolos comunitários. Outra ferramenta de construção comunitária é a #followFriday, que é quando alguém fica sugerindo pessoas para os outros seguirem, sempre às sextas-feiras. E compartilhar música (geralmente pela dupla Blip.fm e Twitter) também entra nesse item, assim como a torcida pelo meu time do coração, o São Paulo, no jogo da Libertadores (que é o que importa - rsrs), que eu pude estender até a quem estava lá no estádio.
2) Manifestação (e observação) da individualidade.
Tenho visto mais e mais pessoas buscando a diferenciação (ou exercitando-a) no Twitter –geralmente, na base do humor. Como esse carinha, que diz em sua Bio: Estudante de Direito. Sigo quem me segue, não sigo quem não me segue. Salvo poucas exceções, só leio Direct Messages. Portanto, FOLLOW ME!!!” –embora ele siga mais de 200 neguinhos e tenha só 45 seguidores. Ou todos os exemplos malucos citados pela Robi Carusi nesse post e nesse. Ou os avatares mutantes, que vão se transformando em personagens. Ou os microcontos, exibindo o talento literário de cada um, o que pode ser conferido no tag #140. Pense bem: o Twitter é um palco, ou uma vitrine, como o BBB, mas as pessoas precisam ter algum valor real ali para atrair público, diferentemente do BBB. Rendendo um voyeurismo muito mais de resultados. O Orkut e outras redes sociais também têm essa pegada, claro, mas o Twitter acelera o processo e faz com que se cruzem mais as fronteiras das diferentes comunidades.
3) Comunicação rápida e eficaz.
Pessoas que possuem meu telefone e meu email têm diversas vezes preferido falar comigo pelo Twitter, tanto em mensagens abertas (que os outros também podem ler) como em mensagens diretas. Fiquei me perguntando por quê, principalmente no caso número 2. Concluí que isso está relacionado com a forma de comunicação do Twitter (mensagens rápidas; o limite de 140 caracteres automaticamente justifica o fato de serem breves) e também com o fato de que as pessoas se sentem mais próximas e conectadas com o outro sabendo que estão todos aninhados sob as asas do Twitter (um pouco como acontece com o Messenger talvez). Como se a resposta a um contato ficasse mais garantida assim.
4) Laboratório (para inovar, inclusive).
O Twitter é excelente para lançar ideias e ver como as pessoas reagem. Um exemplo bem básico: você quer escrever um post, mas tem dúvida sobre se ele vai interessar? Solta um teaser lá para sentir se repercute. É engraçado perceber como alguns temas têm retorno imediato e outros passam batido. Eu ando numa fase de pôr frases de grandes escritores lá, um tempero de literatura. O Oscar Wilde teve boa resposta, por exemplo, mas o Nelson Rodrigues nada. Se eu fosse uma produtora e estivesse na dúvida entre os dois autores, ou entre os dois estilos, para fazer alguma produção, isso já poderia influenciar a minha decisão. Dá para fazer muito laboratório para valer se você tiver uma boa rede.
5) Fonte de informações e aprendizado.
Tanto de fontes qualificadas, profissionais (especialistas, empresas, sites noticiosos) como de amigos e de pessoas comuns. O Twitter é uma fonte riquíssima, basta montar um bom mix de following folks!!! Quanto às fontes qualificadas, por exemplo, vou dar o exemplo da área de gestão de empresas: já estão lá os melhores veículos (tipo Wired, Fast Company e nós aqui da HSM) e os maiores especialistas –só não segue quem não quer. É como se você montasse um NetVibes no Twitter, e com mais facilidade. Sobre os amigos, é o jeito mais fácil de compartilhar as pequenas descobertas do dia a dia (um novo aplicativo, uma liquidação de loja) e os follow-ups (saber se o filho da amiga sarou da caxumba) –bem melhor que msn (é bem menos invasivo), e-mail ou blog (duas opções mais demoradas). Poderia ter escrito isso também na parte da comunicação rápida e eficaz, relativo a mensagens abertas.
Sobre as fontes comuns, o Marcelo “Bauducco” Pereira da Silva as definiu bem: “Eu acho o Twitter útil pra entender melhor as pessoas e seus valores. Aquelas mensagens tipo ‘bom dia’ que todo mundo acha levianas. É bem interessante (para) tentar compreender o que leva as pessoas à ação através do comportamento e amenidades”. Leia-se “entender o consumidor:. Sem falar nas reflexões e sacadas das pessoas sobre a vida, que você pode ter o privilégio de compartilhar. Hoje o updater Alexandre Inagaki, outro hard user, retransmitiu o comentário de alguém que disse “as frases pessoais de msn são as novas placas de parachoque de caminhão”. Está coberta de razão a autora da frase, não está?
Fora essas funções, cada um pode encontrar a sua própria.
Por Adriana Salles Gomes (editora da revista HSM Management)
Quando os aviões viram notícia!!!
Quando os aviões viram notícia
Projeto F-X2
Escrito por Defesa Brasil
Sex, 08 de Janeiro de 2010 12:42
Confusões sobre o processo de compra de caças inundam a mídia e não ajudam a esclarecer o povo.
Leonardo Jones
Nos últimos dias tem se falado muito sobre a compra de caças novos para a FAB, os jornais tem publicado, cada um, duas ou três notícias relacionadas a isso por dia. Mas esse não é um assunto de domínio público, e muito menos corriqueiro para os veículos de mídia não especializados. Por conta desse repentino interesse pelos jornais à esse processo, muita confusão vem sendo feita e muitas afirmações erradas vem aparecendo nessas matérias, muitas vezes já no título.
Por conta dessa chuva torrencial de informações sobre o Programa FX-2, mais precisamente sobre um suposto vazamento de um relatório da FAB, tornou-se claro que alguns pontos precisam ser esclarecidos, mas para isso primeiro um breve resumo sobre o processo de seleção se faz necessário.
Pois bem, o programa FX-2, que visa à seleção de um novo caça para a Força Aérea Brasileira, está em curso há dois anos. Nesse tempo o processo de seleção seguiu rigorosamente procedimentos comuns a uma compra desta magnitude, com o RFI (Request for Information), que é um pedido de informações feito as empresas interessadas sobre detalhes de seus produtos, seguido da seleção de três finalistas no que foi chamado de “Short List”, e nela estão o F/A-18E/F, o JAS-39 Gripen NG e o Rafale F3. Logo em seguida foi emitido o chamado RFP (Request for Proposal), que é um pedido de propostas das empresas fabricantes desses três modelos, são elas a Boeing, SAAB e Dassault respectivamente.
Após as propostas serem enviadas e analisadas, entra a fase de negociações, testes e avaliações técnicas onde os valores são discutidos, os equipamentos incluídos na provável compra são selecionados e as aeronaves são testadas e avaliadas em todos os aspectos operacionais.
A partir daí é que o agora tão famoso relatório da Força Aérea Brasileira vai tomando forma.
O relatório avalia o desempenho técnico de todas as aeronaves e as propostas comerciais de todas as empresas, mas não é, sozinho, suficiente para se fechar a compra por mais completo que possa parecer após tantas etapas.
Uma compra dessa importância, caças que serão a linha de frente da defesa de um país pelos próximos 30 anos, não é simples e muito menos barata. O que se busca é a proposta que melhor cubra todos os pontos vistos pela nossa estratégia de defesa como relevantes, e o relatório da FAB é responsável apenas por uma fração desses pontos.
Ainda falta a avaliação política, que engloba as análises a respeito da nossa relação com o país que nos oferece a aeronave, afinal vamos ter que possuir uma boa relação com esse país por todo o tempo que essa aeronave vai estar voando aqui no Brasil. Análises econômicas que levam em conta não só o valor a ser pago e como esse valor vai ser diluído, em quantas parcelas por quantos anos, mas também avalia, por exemplo, investimentos na indústria nacional prometidos por cada empresa interessada em nos vender seu produto. E avalia também acordos internacionais assinados pelo Brasil, tratados e a lista continua.
A avaliação política é tão ou mais complexa que a técnica feita pela FAB, e as duas precisam ser unidas para que a melhor proposta vença.
Está sendo feita muita confusão na mídia por conta disso, muitos dizem que o governo vai ignorar a avaliação da FAB e que a escolha vai ser apenas política. Mas em qualquer lugar do mundo a escolha desse tipo de coisa é política, o que não quer dizer nunca que a avaliação técnica vai ser posta de lado. Confunde-se avaliação política com escolha política.
O governo, através principalmente do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, tem afirmado nos últimos dias que a escolha será política, e estão certos já que a decisão será do Presidente Lula. Mas será uma decisão política tomada com base na união, na fusão, da avaliação técnica feita pela FAB com a avaliação Política feita pelo governo.
Não possui peso conclusivo para o processo de seleção se um relatório técnico apontou ou não um avião específico como o mais indicado, pois esse relatório é parte de algo maior, e portanto, decisões não serão tomadas com base apenas nesse suposto relatório vazado como deixa claro Celso Amorim ao afirmar ontem que "o barato pode sair caro."
O Ministro Nelson Jobim anulou tal confusão ao pedir, no final do ano passado, que o relatório da FAB não apontasse vencedor, pois não é esse o trabalho da FAB. É trabalho da FAB apontar os resultados das avaliações técnicas feitas. O vencedor, invariavelmente será apontado pelo Presidente Lula junto ao Conselho de Defesa Nacional em cima de todas as avaliações disponíveis.
Projeto F-X2
Escrito por Defesa Brasil
Sex, 08 de Janeiro de 2010 12:42
Confusões sobre o processo de compra de caças inundam a mídia e não ajudam a esclarecer o povo.
Leonardo Jones
Nos últimos dias tem se falado muito sobre a compra de caças novos para a FAB, os jornais tem publicado, cada um, duas ou três notícias relacionadas a isso por dia. Mas esse não é um assunto de domínio público, e muito menos corriqueiro para os veículos de mídia não especializados. Por conta desse repentino interesse pelos jornais à esse processo, muita confusão vem sendo feita e muitas afirmações erradas vem aparecendo nessas matérias, muitas vezes já no título.
Por conta dessa chuva torrencial de informações sobre o Programa FX-2, mais precisamente sobre um suposto vazamento de um relatório da FAB, tornou-se claro que alguns pontos precisam ser esclarecidos, mas para isso primeiro um breve resumo sobre o processo de seleção se faz necessário.
Pois bem, o programa FX-2, que visa à seleção de um novo caça para a Força Aérea Brasileira, está em curso há dois anos. Nesse tempo o processo de seleção seguiu rigorosamente procedimentos comuns a uma compra desta magnitude, com o RFI (Request for Information), que é um pedido de informações feito as empresas interessadas sobre detalhes de seus produtos, seguido da seleção de três finalistas no que foi chamado de “Short List”, e nela estão o F/A-18E/F, o JAS-39 Gripen NG e o Rafale F3. Logo em seguida foi emitido o chamado RFP (Request for Proposal), que é um pedido de propostas das empresas fabricantes desses três modelos, são elas a Boeing, SAAB e Dassault respectivamente.
Após as propostas serem enviadas e analisadas, entra a fase de negociações, testes e avaliações técnicas onde os valores são discutidos, os equipamentos incluídos na provável compra são selecionados e as aeronaves são testadas e avaliadas em todos os aspectos operacionais.
A partir daí é que o agora tão famoso relatório da Força Aérea Brasileira vai tomando forma.
O relatório avalia o desempenho técnico de todas as aeronaves e as propostas comerciais de todas as empresas, mas não é, sozinho, suficiente para se fechar a compra por mais completo que possa parecer após tantas etapas.
Uma compra dessa importância, caças que serão a linha de frente da defesa de um país pelos próximos 30 anos, não é simples e muito menos barata. O que se busca é a proposta que melhor cubra todos os pontos vistos pela nossa estratégia de defesa como relevantes, e o relatório da FAB é responsável apenas por uma fração desses pontos.
Ainda falta a avaliação política, que engloba as análises a respeito da nossa relação com o país que nos oferece a aeronave, afinal vamos ter que possuir uma boa relação com esse país por todo o tempo que essa aeronave vai estar voando aqui no Brasil. Análises econômicas que levam em conta não só o valor a ser pago e como esse valor vai ser diluído, em quantas parcelas por quantos anos, mas também avalia, por exemplo, investimentos na indústria nacional prometidos por cada empresa interessada em nos vender seu produto. E avalia também acordos internacionais assinados pelo Brasil, tratados e a lista continua.
A avaliação política é tão ou mais complexa que a técnica feita pela FAB, e as duas precisam ser unidas para que a melhor proposta vença.
Está sendo feita muita confusão na mídia por conta disso, muitos dizem que o governo vai ignorar a avaliação da FAB e que a escolha vai ser apenas política. Mas em qualquer lugar do mundo a escolha desse tipo de coisa é política, o que não quer dizer nunca que a avaliação técnica vai ser posta de lado. Confunde-se avaliação política com escolha política.
O governo, através principalmente do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, tem afirmado nos últimos dias que a escolha será política, e estão certos já que a decisão será do Presidente Lula. Mas será uma decisão política tomada com base na união, na fusão, da avaliação técnica feita pela FAB com a avaliação Política feita pelo governo.
Não possui peso conclusivo para o processo de seleção se um relatório técnico apontou ou não um avião específico como o mais indicado, pois esse relatório é parte de algo maior, e portanto, decisões não serão tomadas com base apenas nesse suposto relatório vazado como deixa claro Celso Amorim ao afirmar ontem que "o barato pode sair caro."
O Ministro Nelson Jobim anulou tal confusão ao pedir, no final do ano passado, que o relatório da FAB não apontasse vencedor, pois não é esse o trabalho da FAB. É trabalho da FAB apontar os resultados das avaliações técnicas feitas. O vencedor, invariavelmente será apontado pelo Presidente Lula junto ao Conselho de Defesa Nacional em cima de todas as avaliações disponíveis.
LULA: COMANDANTE EM CHEFE DAS FORÇAS ARMADAS!!!
Lula, os caças, os chatos e as viúvas da Ditadura
08/01/2010 - 09:10 | Enviado por: Andre Balocco
Esta cantilena sobre a compra dos caças para a Força Aérea Brasileira tem cheiro de viúva - viúva dos milicos que comandaram este país com mão de ferro e que, se por um lado, nos levaram ao desenvolvimento industrial, por outro nos submeteram à humilhação da opinião única, da tortura e da insensatez. O comandante em chefe das Forças Armadas, o general mais importante, o brigadeiro que manda, o almirante que realmente dá ordens, neste país, segundo a Constituição da República Federativa do Brasil, se chama, neste momento, Luiz Inácio Lula da Silva. E ponto final. Não me venham os senhores militares, a quem gosto de respeitar por demais, nacionalista que sou, tentarem constranger o 'sapo barbudo'. Aliás, será que vocês ainda acreditam nesta história de que o Lula é um sapo barbudo que se engole e se expele na hora certa? Era só o que me faltava...Quanto atraso!
Andei lendo o que colegas escreveram sobre os caças e não tenho a menor dúvida: a escolha política é a mais correta. Temos de nos aliançar com aqueles que nos aceitam como somos, que aceitam nossos desejos naturais de exercer um papel preponderante neste mundo insano. E a França é um destes parceiros. Estes tais caças suecos, pelo o que tive a oportunidade de ler, sequer fazem parte das Forças Armadas de lá. Também, estes caças não existem, eles ainda estão no papel! Já os Raffale estão prontinhos para seguirem aos trópicos. E mais: no pacote de compra dos Raffale, capazes de realizar missões de ataque, defesa e monitoramente do espaço aéreo, está incluído o armamento. Mais ainda: defesa de espaço aéreo não é motivo de barganha econômica. Não me venham com esta historinha pra boi dormir de que "é um absurdo o país gastar milhões de reais a mais blá-blá-blá".
Senhores militares da Força Aérea Brasileira. Honrem os pracinhas que foram à Itália, honrem o histórico da Força, honrem a importância da Força para o orgulho desta nação e parem de picuinhas baratas. Afinal, há anos vocês sonham com estes caças e agora que o governo do 'sapo' vai comprá-los, ficam com esta babaquice? Quem vazou este relatório para a imprensa quis simplesmente criar constrangimento ao comandante em chefe das Forças Aramadas, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, este verdadeiro paraíba que manda em vocês, senhores doutores formados nas melhores escolas do país. Honrem o fato de pertencerem à elite brasileira e preparem-se para nos defender das agressões que, com certeza, virão por aí quando os chefes do planeta perceberem, ou melhor, se cansarem, de nos deixar buscarmos o papel de protagonista neste jogo.
É para isto que serve uma Força Aérea. Criar constrangimentos a seu comandante e bater pezinho que nem criança, esperneando à toa, fazendo manha, não é papel digno da FAB que meu tio honrou. Militar serve para defender o país e não para dar golpes de Estado. Este tempo já passou. Quem ainda pensa assim, que vista o pijama.
Como disse Cazuza, aquele genial 'veado', o tempo não pára.
08/01/2010 - 09:10 | Enviado por: Andre Balocco
Esta cantilena sobre a compra dos caças para a Força Aérea Brasileira tem cheiro de viúva - viúva dos milicos que comandaram este país com mão de ferro e que, se por um lado, nos levaram ao desenvolvimento industrial, por outro nos submeteram à humilhação da opinião única, da tortura e da insensatez. O comandante em chefe das Forças Armadas, o general mais importante, o brigadeiro que manda, o almirante que realmente dá ordens, neste país, segundo a Constituição da República Federativa do Brasil, se chama, neste momento, Luiz Inácio Lula da Silva. E ponto final. Não me venham os senhores militares, a quem gosto de respeitar por demais, nacionalista que sou, tentarem constranger o 'sapo barbudo'. Aliás, será que vocês ainda acreditam nesta história de que o Lula é um sapo barbudo que se engole e se expele na hora certa? Era só o que me faltava...Quanto atraso!
Andei lendo o que colegas escreveram sobre os caças e não tenho a menor dúvida: a escolha política é a mais correta. Temos de nos aliançar com aqueles que nos aceitam como somos, que aceitam nossos desejos naturais de exercer um papel preponderante neste mundo insano. E a França é um destes parceiros. Estes tais caças suecos, pelo o que tive a oportunidade de ler, sequer fazem parte das Forças Armadas de lá. Também, estes caças não existem, eles ainda estão no papel! Já os Raffale estão prontinhos para seguirem aos trópicos. E mais: no pacote de compra dos Raffale, capazes de realizar missões de ataque, defesa e monitoramente do espaço aéreo, está incluído o armamento. Mais ainda: defesa de espaço aéreo não é motivo de barganha econômica. Não me venham com esta historinha pra boi dormir de que "é um absurdo o país gastar milhões de reais a mais blá-blá-blá".
Senhores militares da Força Aérea Brasileira. Honrem os pracinhas que foram à Itália, honrem o histórico da Força, honrem a importância da Força para o orgulho desta nação e parem de picuinhas baratas. Afinal, há anos vocês sonham com estes caças e agora que o governo do 'sapo' vai comprá-los, ficam com esta babaquice? Quem vazou este relatório para a imprensa quis simplesmente criar constrangimento ao comandante em chefe das Forças Aramadas, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, este verdadeiro paraíba que manda em vocês, senhores doutores formados nas melhores escolas do país. Honrem o fato de pertencerem à elite brasileira e preparem-se para nos defender das agressões que, com certeza, virão por aí quando os chefes do planeta perceberem, ou melhor, se cansarem, de nos deixar buscarmos o papel de protagonista neste jogo.
É para isto que serve uma Força Aérea. Criar constrangimentos a seu comandante e bater pezinho que nem criança, esperneando à toa, fazendo manha, não é papel digno da FAB que meu tio honrou. Militar serve para defender o país e não para dar golpes de Estado. Este tempo já passou. Quem ainda pensa assim, que vista o pijama.
Como disse Cazuza, aquele genial 'veado', o tempo não pára.
domingo, 3 de janeiro de 2010
VAMOS ENTERRAR A DITADURA MILITAR!!!
Política| 03/01/2010 | Copyleft
A longa despedida da ditadura
O Brasil precisa se livrar da ditadura militar, mas não antes de dissecá-la e neutralizar-lhe as sementes. Os militares de hoje não podem ser obrigados a defender gente como o coronel Brilhante Ustra, o carniceiro do DOI-CODI de São Paulo, nem o capitão Wilson Machado, vítima mutilada pela própria bomba que pretendia explodir, em 1º de maio de 1981, durante um show de música no Riocentro, onde milhares de pessoas comemoravam o Dia do Trabalho. Um Exército que dá guarida e, pior, se orgulha de gente assim não precisa de mais armamento. Precisa de ar puro. O artigo é de Leandro Fortes.
Leandro Fortes - Brasília, eu vi
Publicado originalmente no blog Brasília, eu vi, do jornalista Leandro Fortes.
Ainda não surgiu, infelizmente, um ministro da Defesa capaz de tomar para si a única e urgente responsabilidade do titular da pasta sobre as forças armadas brasileiras: desconectar uma dúzia de gerações de militares, sobretudo as mais novas, da história da ditadura militar brasileira. A omissão de sucessivos governos civis, de José Sarney a Luiz Inácio Lula da Silva, em relação à formação dos militares brasileiros tem garantido a perpetuação, quase intacta, da doutrina de segurança nacional dentro dos quartéis nacionais, de forma que é possível notar uma triste sintonia de discurso – anticomunista, reacionário e conservador – do tenente ao general, obrigados, sabe-se lá por que, a defender o indefensável. Trata-se de uma lógica histórica perversa que se alimenta de factóides e interpretações de má fé, como essa de que, ao instituir uma Comissão Nacional da Verdade, o governo pretende rever a Lei de Anistia, de 1979.
Essa Lei de Anistia, sobre a qual derramam lágrimas de sangue as viúvas da ditadura em rituais de loucura no Clube Militar do Rio de Janeiro, não serviu para pacificar o país, mas para enquadrá-lo em uma nova ordem política ditada pelos mesmos tutores que criaram a ditadura, os Estados Unidos. A sucessão de desastres sociais e econômicos, o desrespeito sistemático aos Direitos Humanos e a distensão política da Guerra Fria obrigaram os regimes de força da América Latina a ditarem, de forma unilateral, uma saída honrosa de modo a preservar instituições e pessoas envolvidas na selvageria que se seguiu aos golpes das décadas de 1960 e 1970. Não foi diferente no Brasil.
Uma coisa, no entanto, é salvaguardar as Forças Armadas e estabelecer um expediente de perdão mútuo para as forças políticas colocadas em campos antagônicos, outra é proteger torturadores. Essas bestas-feras que trucidaram seres humanos nos porões, alheios, inclusive, às leis da ditadura, não podem ficar impunes. Não podem ser tratados como heróis dentro dos quartéis e escolas militares e, principalmente, não podem servir de exemplo para jovens oficiais e sargentos das Forças Armadas. Comparar esses animais sádicos aos militantes da esquerda armada é uma maneira descabida e sórdida de manipular os fatos em prol de uma camarilha, à beira da senilidade, que ainda acredita ter vencido uma guerra em 1964.
Assim, ao se perfilarem num jogo de cena melancólico em favor dessas pessoas, o ministro Nelson Jobim e os comandantes militares prestam um desserviço à sociedade brasileira. Melhor seria se Jobim determinasse aos mesmos comandantes que pedissem desculpas à nação, em nome das Forças Armadas, pelos crimes da ditadura, como fizeram os militares da Argentina e do Chile, ponto de partida para a depuração de uma época terrível que, no entanto, não pode ser esquecida. Jobim faria um grande favor ao país se, ao invés de dar guarida a meia dúzia de saudosistas dos porões, fizesse uma limpeza ideológica e doutrinária na Escola Superior de Guerra, de onde ainda emanam os ensinamentos adquiridos na antiga Escola das Américas, mantida pelos EUA, onde militares brasileiros iam aprender a torturar e matar civis brasileiros.
A criação do Ministério da Defesa, em 1999, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, deu-se por um misto de necessidade política e operacional. O Brasil era, então, um dos pouquíssimos países a ter um ministro fardado para cada força militar, o que fazia de cada uma delas – Marinha, Exército e Aeronáutica – um feudo administrativo indevassável e obrigava o presidente a negociar no varejo assuntos que diziam respeito ao conjunto de responsabilidades gerais das Forças Armadas. Do ponto de vista de gerenciamento da segurança nacional, aquele modelo herdado da ditadura era, paradoxalmente, um desastre. Ainda assim, apesar de ter havido alguma resistência na caserna, o Ministério da Defesa foi montado, organizado e colocado em prática.
Faltou, no entanto, zelo na indicação de nomes para a pasta. Desde o governo FHC, o Ministério da Defesa serviu para abrigar políticos desempregados ou servidores públicos sem qualquer ligação e conhecimento de políticas de defesa e realidade militar. A começar pelo primeiro deles, o ex-senador Élcio Álvares, do ex-PFL, acusado de colaborar com o crime organizado no Espírito Santo. Defenestrado, foi substituído, sem nenhum critério, pelo então advogado-geral da União, Geraldo Quintão, praticamente obrigado a aceitar o cargo por absoluta falta de outros interessados. No governo Lula, já foram quatros os ministros da Defesa: o diplomata José Viegas Filho, o vice José Alencar e o ex-governador da Bahia, Waldir Pires, além do atual, Nelson Jobim.
Todos, em maior ou menor grau, gastaram tempo e energia em cima das mesmíssimas discussões sobre salários e equipamentos, mas ninguém ousou tratar da questão doutrinária e de novos parâmetros para a educação e a formação dos militares brasileiros. Na Estratégia de Defesa Nacional, elaborada por Jobim e pelo ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, em 2008, o tema é abordado, simplesmente, em um mísero parágrafo. A saber:
“As instituições de ensino das três Forças ampliarão nos seus currículos de formação militar disciplinas relativas a noções de Direito Constitucional e de Direitos Humanos, indispensáveis para consolidar a identificação das Forças Armadas com o povo brasileiro”.
A polêmica sobre a possibilidade ou não de revisão da Lei de Anistia é um reflexo direto do descolamento quase que absoluto dos quartéis da chamada sociedade civil brasileira, que, a partir de 1985, cometeu o erro de relegar os militares a uma quarentena política aparentemente infindável, da qual eles só se arriscam a sair de quando em quando, mesmo assim, de forma envergonhada e, não raras vezes, desastrada. Basta dizer que, para reivindicar melhores salários, recorrem os nossos homens de farda às mulheres, normalmente, esposas de oficiais de baixa patente e de praças subalternos, a se lançarem em panelaços e acampamentos públicos a fim de sensibilizar os generais. Estes mesmos generais que se mostram tão irritados com a possibilidade de instalação, aliás, tardia em relação a toda América Latina, da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Plano Nacional de Direitos Humanos.
Mas, afinal, por que se irritam os generais e, com eles, o ministro Nelson Jobim? Com a possibilidade de, finalmente, o Estado investigar e nomear um bando de animais que esfolaram, mutilaram, estupraram e assassinaram pessoas às custas do contribuinte? Por que diabos o Ministério da Defesa se coloca ao lado de uma escória com a qual sequer existe, hoje em dia, uma mínima ligação geracional na caserna?
O Brasil precisa se livrar da ditadura militar, mas não antes de dissecá-la e neutralizar-lhe as sementes. Os militares de hoje não podem ser obrigados a defender gente como o coronel Brilhante Ustra, o carniceiro do DOI-CODI de São Paulo, nem o capitão Wilson Machado, vítima mutilada pela própria bomba que pretendia explodir, em 1º de maio de 1981, durante um show de música no Riocentro, onde milhares de pessoas comemoravam o Dia do Trabalho. Um Exército que dá guarida e, pior, se orgulha de gente assim não precisa de mais armamento. Precisa de ar puro.
A longa despedida da ditadura
O Brasil precisa se livrar da ditadura militar, mas não antes de dissecá-la e neutralizar-lhe as sementes. Os militares de hoje não podem ser obrigados a defender gente como o coronel Brilhante Ustra, o carniceiro do DOI-CODI de São Paulo, nem o capitão Wilson Machado, vítima mutilada pela própria bomba que pretendia explodir, em 1º de maio de 1981, durante um show de música no Riocentro, onde milhares de pessoas comemoravam o Dia do Trabalho. Um Exército que dá guarida e, pior, se orgulha de gente assim não precisa de mais armamento. Precisa de ar puro. O artigo é de Leandro Fortes.
Leandro Fortes - Brasília, eu vi
Publicado originalmente no blog Brasília, eu vi, do jornalista Leandro Fortes.
Ainda não surgiu, infelizmente, um ministro da Defesa capaz de tomar para si a única e urgente responsabilidade do titular da pasta sobre as forças armadas brasileiras: desconectar uma dúzia de gerações de militares, sobretudo as mais novas, da história da ditadura militar brasileira. A omissão de sucessivos governos civis, de José Sarney a Luiz Inácio Lula da Silva, em relação à formação dos militares brasileiros tem garantido a perpetuação, quase intacta, da doutrina de segurança nacional dentro dos quartéis nacionais, de forma que é possível notar uma triste sintonia de discurso – anticomunista, reacionário e conservador – do tenente ao general, obrigados, sabe-se lá por que, a defender o indefensável. Trata-se de uma lógica histórica perversa que se alimenta de factóides e interpretações de má fé, como essa de que, ao instituir uma Comissão Nacional da Verdade, o governo pretende rever a Lei de Anistia, de 1979.
Essa Lei de Anistia, sobre a qual derramam lágrimas de sangue as viúvas da ditadura em rituais de loucura no Clube Militar do Rio de Janeiro, não serviu para pacificar o país, mas para enquadrá-lo em uma nova ordem política ditada pelos mesmos tutores que criaram a ditadura, os Estados Unidos. A sucessão de desastres sociais e econômicos, o desrespeito sistemático aos Direitos Humanos e a distensão política da Guerra Fria obrigaram os regimes de força da América Latina a ditarem, de forma unilateral, uma saída honrosa de modo a preservar instituições e pessoas envolvidas na selvageria que se seguiu aos golpes das décadas de 1960 e 1970. Não foi diferente no Brasil.
Uma coisa, no entanto, é salvaguardar as Forças Armadas e estabelecer um expediente de perdão mútuo para as forças políticas colocadas em campos antagônicos, outra é proteger torturadores. Essas bestas-feras que trucidaram seres humanos nos porões, alheios, inclusive, às leis da ditadura, não podem ficar impunes. Não podem ser tratados como heróis dentro dos quartéis e escolas militares e, principalmente, não podem servir de exemplo para jovens oficiais e sargentos das Forças Armadas. Comparar esses animais sádicos aos militantes da esquerda armada é uma maneira descabida e sórdida de manipular os fatos em prol de uma camarilha, à beira da senilidade, que ainda acredita ter vencido uma guerra em 1964.
Assim, ao se perfilarem num jogo de cena melancólico em favor dessas pessoas, o ministro Nelson Jobim e os comandantes militares prestam um desserviço à sociedade brasileira. Melhor seria se Jobim determinasse aos mesmos comandantes que pedissem desculpas à nação, em nome das Forças Armadas, pelos crimes da ditadura, como fizeram os militares da Argentina e do Chile, ponto de partida para a depuração de uma época terrível que, no entanto, não pode ser esquecida. Jobim faria um grande favor ao país se, ao invés de dar guarida a meia dúzia de saudosistas dos porões, fizesse uma limpeza ideológica e doutrinária na Escola Superior de Guerra, de onde ainda emanam os ensinamentos adquiridos na antiga Escola das Américas, mantida pelos EUA, onde militares brasileiros iam aprender a torturar e matar civis brasileiros.
A criação do Ministério da Defesa, em 1999, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, deu-se por um misto de necessidade política e operacional. O Brasil era, então, um dos pouquíssimos países a ter um ministro fardado para cada força militar, o que fazia de cada uma delas – Marinha, Exército e Aeronáutica – um feudo administrativo indevassável e obrigava o presidente a negociar no varejo assuntos que diziam respeito ao conjunto de responsabilidades gerais das Forças Armadas. Do ponto de vista de gerenciamento da segurança nacional, aquele modelo herdado da ditadura era, paradoxalmente, um desastre. Ainda assim, apesar de ter havido alguma resistência na caserna, o Ministério da Defesa foi montado, organizado e colocado em prática.
Faltou, no entanto, zelo na indicação de nomes para a pasta. Desde o governo FHC, o Ministério da Defesa serviu para abrigar políticos desempregados ou servidores públicos sem qualquer ligação e conhecimento de políticas de defesa e realidade militar. A começar pelo primeiro deles, o ex-senador Élcio Álvares, do ex-PFL, acusado de colaborar com o crime organizado no Espírito Santo. Defenestrado, foi substituído, sem nenhum critério, pelo então advogado-geral da União, Geraldo Quintão, praticamente obrigado a aceitar o cargo por absoluta falta de outros interessados. No governo Lula, já foram quatros os ministros da Defesa: o diplomata José Viegas Filho, o vice José Alencar e o ex-governador da Bahia, Waldir Pires, além do atual, Nelson Jobim.
Todos, em maior ou menor grau, gastaram tempo e energia em cima das mesmíssimas discussões sobre salários e equipamentos, mas ninguém ousou tratar da questão doutrinária e de novos parâmetros para a educação e a formação dos militares brasileiros. Na Estratégia de Defesa Nacional, elaborada por Jobim e pelo ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, em 2008, o tema é abordado, simplesmente, em um mísero parágrafo. A saber:
“As instituições de ensino das três Forças ampliarão nos seus currículos de formação militar disciplinas relativas a noções de Direito Constitucional e de Direitos Humanos, indispensáveis para consolidar a identificação das Forças Armadas com o povo brasileiro”.
A polêmica sobre a possibilidade ou não de revisão da Lei de Anistia é um reflexo direto do descolamento quase que absoluto dos quartéis da chamada sociedade civil brasileira, que, a partir de 1985, cometeu o erro de relegar os militares a uma quarentena política aparentemente infindável, da qual eles só se arriscam a sair de quando em quando, mesmo assim, de forma envergonhada e, não raras vezes, desastrada. Basta dizer que, para reivindicar melhores salários, recorrem os nossos homens de farda às mulheres, normalmente, esposas de oficiais de baixa patente e de praças subalternos, a se lançarem em panelaços e acampamentos públicos a fim de sensibilizar os generais. Estes mesmos generais que se mostram tão irritados com a possibilidade de instalação, aliás, tardia em relação a toda América Latina, da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Plano Nacional de Direitos Humanos.
Mas, afinal, por que se irritam os generais e, com eles, o ministro Nelson Jobim? Com a possibilidade de, finalmente, o Estado investigar e nomear um bando de animais que esfolaram, mutilaram, estupraram e assassinaram pessoas às custas do contribuinte? Por que diabos o Ministério da Defesa se coloca ao lado de uma escória com a qual sequer existe, hoje em dia, uma mínima ligação geracional na caserna?
O Brasil precisa se livrar da ditadura militar, mas não antes de dissecá-la e neutralizar-lhe as sementes. Os militares de hoje não podem ser obrigados a defender gente como o coronel Brilhante Ustra, o carniceiro do DOI-CODI de São Paulo, nem o capitão Wilson Machado, vítima mutilada pela própria bomba que pretendia explodir, em 1º de maio de 1981, durante um show de música no Riocentro, onde milhares de pessoas comemoravam o Dia do Trabalho. Um Exército que dá guarida e, pior, se orgulha de gente assim não precisa de mais armamento. Precisa de ar puro.
RELACIONAMENTOS: Ciúme: quando o sentimento se transforma em doença!!!
Relacionamentos
No início do relacionamento tudo são flores, até que ele vem chegando devagarzinho, e vira motivo de brigas frequente.
Por Fenanda Dias
No início do relacionamento tudo são flores, até que ele vem chegando devagarzinho, aparecendo em pequenas situações corriqueiras e, de repente, vira motivo de brigas frequentes e acaba colocando em risco o romance que parecia tão promissor. Definido por muitos como tempero do amor, o ciúme pode até mesmo virar doença e estragar a vida de quem sente e a de quem é objeto desse sentimento.
O psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, autor dos livros Ciúme – O medo da perda e Ciúme – O lado amargo do amor, defende que, embora seja muito comum, o ciúme não pode ser considerado normal, no sentido de saudável, pois sempre revela uma fragilidade pessoal: “Desde uma personalidade insegura até mesmo um transtorno obsessivo-compulsivo podem estar atrás de uma manifestação de ciúme, de posse, de medo de perder alguém ou de ser passado para trás”, ressalta.
O grau de ciúme e o nível de autoestima estão estritamente ligados para a estudante de Comunicação Social Regina Luft, de 23 anos. Ela revela que, quando está bem consigo mesma, um fato que certamente geraria dor de cabeça para o casal acaba virando motivo de piada:
“Teve uma vez que uma menina deu mole descaradamente para ele, quase o agarrou, e eu ri da situação. Na hora, ele me olhou apreensivo, já esperando por uma reação desconfortável e eu fiquei debochando. Mas, isso aconteceu porque eu estava muito bem, me sentido bonita, com autoestima alta. Quando estou para baixo, pequenas coisas são motivo para eu ter crises de ciúme”, relata Regina.
Segundo o psicólogo e especialista em dificuldades do relacionamento amoroso, Thiago de Almeida, o ciúme pode aparecer como efeito colateral de alguma fase no trabalho ou até mesmo da administração de um medicamento que cause aumento temporário de ansiedade, pois tal sentimento está relacionado com insegurança e ansiedade. Mas, quando a frequência desse comportamento passa incomodar a dinâmica do casal é sinal de que algo está errado: “Por exemplo, telefonemas excessivos percebidos por quem os recebe pode indicar uma anormalidade. Quem os faz sempre alegará zelo, preocupação, manutenção da relação, ou seja, não reconhecerá qualquer comportamento desviante”.
Ferreira-Santos explica que, em situações extremas, a pessoa perde totalmente o contato com a realidade e aquilo que é apenas uma fantasia derivada do medo se transforma em uma realidade delirante. Nesses casos, a pessoa não apenas desconfia do outro, mas tem uma certeza de que está sendo traído sem nenhuma evidência concreta. Independentemente de as evidências serem reais ou imaginárias, em muitos casos, o ciumento acaba partindo para a agressão para defender “o que é seu”. Foi o que aconteceu em meados de setembro, quando o ex-deputado pelo Mato Grosso do Sul Pedro Pedrossian entrou na sala de aula do professor de filosofia da UFRJ André Martins e o agrediu a socos por ciúme da mulher Ana Cássia Nogueira Vieira, de 25 anos.
Segundo Ferreira-Santos, o ciumento teme que, de alguma forma, possa perder o controle sobre a pessoa que julga ser sua propriedade única, exclusiva e eterna. “O elemento principal aqui é o sentimento de exclusão”, afirma ele.
O ciúme pode prejudicar tanto um relacionamento que até mesmo o parceiro passa a sofrer psicologicamente. Em junho deste ano, um crime aparentemente passional chamou a atenção do país: Alessandra D’ávila, de 35 anos, matou o marido, o empresário Renato Biasotto, no apartamento que eles moravam em um edifício de luxo da Barra da Tijuca. À Rádio CBN, Eduardo Pedrosa, que estava com o casal antes do crime, disse que Renato era obcecado pela mulher e que a causa do crime deve ter sido ciúme. Na véspera do assassinato, Alessandra participou de uma comemoração de Dia dos Namorados com um grupo de amigos e publicou as fotos do encontro no site de relacionamentos Orkut.
“A pessoa ciumenta, que apresenta transtornos ou de personalidade ou neuróticos, pode, a partir de uma simples desconfiança desenvolver um quadro de intenso sofrimento psicológico para si mesma e para o outro, tomando atitudes agressivas e desmedidas que, no limite, podem chegar aos chamados “crimes passionais”, afirma Ferreira-Santos.
O especialista explica que o ciumento sente-se ameaçado por uma terceira pessoa com a qual, consciente ou inconscientemente, entra em uma competição e se julga inferior a ela. “É só lembrar da famosa peça do Nelson Rodrigues Perdoa-me por me traíres em que fica clara a situação de inferioridade na qual se coloca a pessoa que julga que seu parceiro possa encontrar alguém melhor do que ele, seja para uma relação estável (medo da perda), seja para uma relação sexual eventual (medo do seu próprio desempenho sexual ser insuficiente para satisfazer o parceiro)”.
Quando é necessário tratamento
Quando a situação atinge níveis de ansiedade, angústia e aflição que tornam a vida do ciumento e de quem com ele convive insuportável é hora de procurar ajuda. “Quando percebermos que nossos esforços não surtirem efeito já é hora de procurarmos uma ajuda especializada e deixarmos de justificar as atitudes do parceiro e de delegarmos ao tempo e ao outro a solução deste impasse”, afirmou Thiago Almeida.
De acordo com Ferreira-Santos, o tratamento se faz através de uma psicoterapia em que se procura determinar e sanar as crenças disfuncionais do paciente, acompanhada ou não do uso de medicação, geralmente os modernos antidepressivos ou estabilizadores de humor. E não adianta o parceiro tentar minimizar o ciúme do outro. Para Ferreira-Santos, o fato de tentar se justificar o tempo todo e mostrar que não há nada de errado não ajuda em nada: “O que vale é o cuidado e o carinho que a pessoa possa demonstrar pelo parceiro ciumento, valorizando suas qualidades quando elas são verdadeiras”.
Para Regina e seu noivo, com quem mantém um relacionamento de sete anos e meio, o segredo é a conversa: “Ele até debocha do meu ciúme quando exagero, mas resolvemos tudo na hora. É melhor assim. Se eu não coloco para a fora e guardo para mim, tenho a sensação de que vou explodir porque, em determinadas situações, chego a sentir palpitação, suo nas mãos”.
Thiago Almeida ressalta que a compreensão deve ser fundamental para quaisquer conflitos relacionados ao ciúme ou mesmo a outras dificuldades do relacionamento amoroso. Ele defende que um relacionamento duradouro resulta da capacidade de o casal solucionar os conflitos que são inevitáveis em qualquer relação: “Não há como erradicar conflitos completamente, mas podemos contar com o nosso parceiro como aliado para podermos resolvê-los conforme forem surgindo ou temos a escolha de o identificarmos como o nosso rival e aumentarmos ainda mais os conflitos inerentes a quaisquer interações humanas”.
A chave para um relacionamento livre de ciúme pode estar no início da relação. Ferreira-Santos ressalta que muitas vezes uma pessoa se deixa enganar por um parceiro que simplesmente parece zeloso e paulatinamente deixa que o outro domine a sua vida, impondo-lhe limites cada vez maiores, até se transformar numa verdadeira “gaiola nem sempre dourada”. “Como quase tudo em medicina vale mais a prevenção do que a tentativa de cura. Acreditar que depois tudo irá se modificar é o erro crasso que muita gente comete ao estabelecer uma relação com alguém ciumento”.
Confira os quatro tipos de ciumento, segundo Ferreira-Santos:
Zeloso – O zelo é a verdadeira prova de amor, pois é um sentimento altruísta, voltado para o bem estar do outro, acompanhado de carinho e afeto pela verdadeira possibilidade do outro ser na vida.
Enciumado – O enciumando é aquela situação eventual, em que a pessoa entra em contato com sua própria insegurança perante a presença de um terceiro que, de fato, apresente alguma ameaça aos seus valores pessoais. É transitório e deve ser trabalhado dentro de si mesmo e com seu parceiro, reconhecendo que se está com ele é porque há muitas outras características que o tornam uma pessoa realmente querida.
Ciumento – O ciumento é, geralmente, uma pessoa possessiva, insegura de si e de seus valores, que imagina ser passível de abandono ou traição. Vê em qualquer ação independente de seu companheiro uma ameaça à relação e sofre imaginando que pode ser traído ou abandonado devido à sua insignificância.
Delirante – O ciumento patológico ou delirante é aquela pessoa que apresenta um real transtorno mental, no nível físico, cerebral (tipo arterioesclerose, esclerose alcoólica, demências em geral) que acredita delirantemente que o outro possa abandoná-lo ou traí-lo. É a chamada “Síndrome de Otelo”.
No início do relacionamento tudo são flores, até que ele vem chegando devagarzinho, e vira motivo de brigas frequente.
Por Fenanda Dias
No início do relacionamento tudo são flores, até que ele vem chegando devagarzinho, aparecendo em pequenas situações corriqueiras e, de repente, vira motivo de brigas frequentes e acaba colocando em risco o romance que parecia tão promissor. Definido por muitos como tempero do amor, o ciúme pode até mesmo virar doença e estragar a vida de quem sente e a de quem é objeto desse sentimento.
O psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, autor dos livros Ciúme – O medo da perda e Ciúme – O lado amargo do amor, defende que, embora seja muito comum, o ciúme não pode ser considerado normal, no sentido de saudável, pois sempre revela uma fragilidade pessoal: “Desde uma personalidade insegura até mesmo um transtorno obsessivo-compulsivo podem estar atrás de uma manifestação de ciúme, de posse, de medo de perder alguém ou de ser passado para trás”, ressalta.
O grau de ciúme e o nível de autoestima estão estritamente ligados para a estudante de Comunicação Social Regina Luft, de 23 anos. Ela revela que, quando está bem consigo mesma, um fato que certamente geraria dor de cabeça para o casal acaba virando motivo de piada:
“Teve uma vez que uma menina deu mole descaradamente para ele, quase o agarrou, e eu ri da situação. Na hora, ele me olhou apreensivo, já esperando por uma reação desconfortável e eu fiquei debochando. Mas, isso aconteceu porque eu estava muito bem, me sentido bonita, com autoestima alta. Quando estou para baixo, pequenas coisas são motivo para eu ter crises de ciúme”, relata Regina.
Segundo o psicólogo e especialista em dificuldades do relacionamento amoroso, Thiago de Almeida, o ciúme pode aparecer como efeito colateral de alguma fase no trabalho ou até mesmo da administração de um medicamento que cause aumento temporário de ansiedade, pois tal sentimento está relacionado com insegurança e ansiedade. Mas, quando a frequência desse comportamento passa incomodar a dinâmica do casal é sinal de que algo está errado: “Por exemplo, telefonemas excessivos percebidos por quem os recebe pode indicar uma anormalidade. Quem os faz sempre alegará zelo, preocupação, manutenção da relação, ou seja, não reconhecerá qualquer comportamento desviante”.
Ferreira-Santos explica que, em situações extremas, a pessoa perde totalmente o contato com a realidade e aquilo que é apenas uma fantasia derivada do medo se transforma em uma realidade delirante. Nesses casos, a pessoa não apenas desconfia do outro, mas tem uma certeza de que está sendo traído sem nenhuma evidência concreta. Independentemente de as evidências serem reais ou imaginárias, em muitos casos, o ciumento acaba partindo para a agressão para defender “o que é seu”. Foi o que aconteceu em meados de setembro, quando o ex-deputado pelo Mato Grosso do Sul Pedro Pedrossian entrou na sala de aula do professor de filosofia da UFRJ André Martins e o agrediu a socos por ciúme da mulher Ana Cássia Nogueira Vieira, de 25 anos.
Segundo Ferreira-Santos, o ciumento teme que, de alguma forma, possa perder o controle sobre a pessoa que julga ser sua propriedade única, exclusiva e eterna. “O elemento principal aqui é o sentimento de exclusão”, afirma ele.
O ciúme pode prejudicar tanto um relacionamento que até mesmo o parceiro passa a sofrer psicologicamente. Em junho deste ano, um crime aparentemente passional chamou a atenção do país: Alessandra D’ávila, de 35 anos, matou o marido, o empresário Renato Biasotto, no apartamento que eles moravam em um edifício de luxo da Barra da Tijuca. À Rádio CBN, Eduardo Pedrosa, que estava com o casal antes do crime, disse que Renato era obcecado pela mulher e que a causa do crime deve ter sido ciúme. Na véspera do assassinato, Alessandra participou de uma comemoração de Dia dos Namorados com um grupo de amigos e publicou as fotos do encontro no site de relacionamentos Orkut.
“A pessoa ciumenta, que apresenta transtornos ou de personalidade ou neuróticos, pode, a partir de uma simples desconfiança desenvolver um quadro de intenso sofrimento psicológico para si mesma e para o outro, tomando atitudes agressivas e desmedidas que, no limite, podem chegar aos chamados “crimes passionais”, afirma Ferreira-Santos.
O especialista explica que o ciumento sente-se ameaçado por uma terceira pessoa com a qual, consciente ou inconscientemente, entra em uma competição e se julga inferior a ela. “É só lembrar da famosa peça do Nelson Rodrigues Perdoa-me por me traíres em que fica clara a situação de inferioridade na qual se coloca a pessoa que julga que seu parceiro possa encontrar alguém melhor do que ele, seja para uma relação estável (medo da perda), seja para uma relação sexual eventual (medo do seu próprio desempenho sexual ser insuficiente para satisfazer o parceiro)”.
Quando é necessário tratamento
Quando a situação atinge níveis de ansiedade, angústia e aflição que tornam a vida do ciumento e de quem com ele convive insuportável é hora de procurar ajuda. “Quando percebermos que nossos esforços não surtirem efeito já é hora de procurarmos uma ajuda especializada e deixarmos de justificar as atitudes do parceiro e de delegarmos ao tempo e ao outro a solução deste impasse”, afirmou Thiago Almeida.
De acordo com Ferreira-Santos, o tratamento se faz através de uma psicoterapia em que se procura determinar e sanar as crenças disfuncionais do paciente, acompanhada ou não do uso de medicação, geralmente os modernos antidepressivos ou estabilizadores de humor. E não adianta o parceiro tentar minimizar o ciúme do outro. Para Ferreira-Santos, o fato de tentar se justificar o tempo todo e mostrar que não há nada de errado não ajuda em nada: “O que vale é o cuidado e o carinho que a pessoa possa demonstrar pelo parceiro ciumento, valorizando suas qualidades quando elas são verdadeiras”.
Para Regina e seu noivo, com quem mantém um relacionamento de sete anos e meio, o segredo é a conversa: “Ele até debocha do meu ciúme quando exagero, mas resolvemos tudo na hora. É melhor assim. Se eu não coloco para a fora e guardo para mim, tenho a sensação de que vou explodir porque, em determinadas situações, chego a sentir palpitação, suo nas mãos”.
Thiago Almeida ressalta que a compreensão deve ser fundamental para quaisquer conflitos relacionados ao ciúme ou mesmo a outras dificuldades do relacionamento amoroso. Ele defende que um relacionamento duradouro resulta da capacidade de o casal solucionar os conflitos que são inevitáveis em qualquer relação: “Não há como erradicar conflitos completamente, mas podemos contar com o nosso parceiro como aliado para podermos resolvê-los conforme forem surgindo ou temos a escolha de o identificarmos como o nosso rival e aumentarmos ainda mais os conflitos inerentes a quaisquer interações humanas”.
A chave para um relacionamento livre de ciúme pode estar no início da relação. Ferreira-Santos ressalta que muitas vezes uma pessoa se deixa enganar por um parceiro que simplesmente parece zeloso e paulatinamente deixa que o outro domine a sua vida, impondo-lhe limites cada vez maiores, até se transformar numa verdadeira “gaiola nem sempre dourada”. “Como quase tudo em medicina vale mais a prevenção do que a tentativa de cura. Acreditar que depois tudo irá se modificar é o erro crasso que muita gente comete ao estabelecer uma relação com alguém ciumento”.
Confira os quatro tipos de ciumento, segundo Ferreira-Santos:
Zeloso – O zelo é a verdadeira prova de amor, pois é um sentimento altruísta, voltado para o bem estar do outro, acompanhado de carinho e afeto pela verdadeira possibilidade do outro ser na vida.
Enciumado – O enciumando é aquela situação eventual, em que a pessoa entra em contato com sua própria insegurança perante a presença de um terceiro que, de fato, apresente alguma ameaça aos seus valores pessoais. É transitório e deve ser trabalhado dentro de si mesmo e com seu parceiro, reconhecendo que se está com ele é porque há muitas outras características que o tornam uma pessoa realmente querida.
Ciumento – O ciumento é, geralmente, uma pessoa possessiva, insegura de si e de seus valores, que imagina ser passível de abandono ou traição. Vê em qualquer ação independente de seu companheiro uma ameaça à relação e sofre imaginando que pode ser traído ou abandonado devido à sua insignificância.
Delirante – O ciumento patológico ou delirante é aquela pessoa que apresenta um real transtorno mental, no nível físico, cerebral (tipo arterioesclerose, esclerose alcoólica, demências em geral) que acredita delirantemente que o outro possa abandoná-lo ou traí-lo. É a chamada “Síndrome de Otelo”.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
CHILE: COMEÇOU A DISPUTA 2010!!!
Internacional| 26/12/2009 | Copyleft
A memória em disputa no Chile e na América Latina
No dia imediatamente posterior ao dia 17 de janeiro de 2010, a imprensa brasileira começará a comparar os resultados eleitorais do Chile com os números das pesquisas no Brasil. Se a vitória de Sebastián Piñera se confirmar, uma das observações mais repetidas será registrar o grande prestígio de Michele Bachelet, que atualmente tem o apoio de mais de 75 % da população, e sua incapacidade de transferir votos ao atual candidato do governo chileno, o ex-presidente Frei. E nenhuma palavra sobre o passado pinochetista de Piñera.
Gustavo de Mello
Quando encerramos a leitura da trilogia Memória do Fogo com o livro “O Século do Vento” (1) estamos familiarizados com o personagem Miguel Mármol. Trata-se de uma figura fascinante, um salvadorenho especialista na arte de renascer. O seu forte é resistir às investidas do poder. Cada ressurreição de Miguel é cercada por algum dos grandes eventos que ocorreram no século XX, na história latino-americana.
No Chile, durante as recentes eleições de dezembro, a história do país esteve presente, revelando seus protagonistas, contextualizando as escolhas dos candidatos. Um dos assuntos é lembrar a brutalidade do golpe militar pinochetista contra o médico da Unidade Popular, Salvador Allende. Depois de instalada a ditadura que levou adiante, com seus aliados da sociedade civil, a um circuito fechado, como lembra Naomi Klein (2), repassando à economia chilena os ensinamentos ou “verdades” do economista Milton Friedman aos seus obedientes alunos de Chicago.
Para esses ensinamentos, a premissa fundamental é a de que o livre mercado é um sistema cientifico perfeito, no qual os indivíduos, agindo em função de seus próprios interesses e desejos, criam o máximo benefício para todos.
Orlando Letellier foi assassinado, aos 44 anos, por se opor e escrever brilhantemente contra as escolhas de política econômica que seriam vistas como modelo no continente. Letellier se tornou perigoso porque previu que a política econômica também não prescindiria de brutalidade, pois necessitaria da manutenção dos campos de concentração em todo o país, com a matança de milhares de opositores; fuzilamentos em massa e da ameaça de sua continuidade, para se firmar e "dar certo"; se é que algum dia daria certo essa “íntima harmonia” entre o “livre mercado” e o terror ilimitado.
O candidato que lidera as pesquisas do segundo turno no Chile, Sebastián Piñera, com a possibilidade objetiva de vencer, é um personagem desse passado e pode ser definido da seguinte forma: “Piñera é a expressão do pinochetismo sobrevivente que seu physique du role berlusconiano não consegue esconder”.
Quando o auto declarado "vitorioso" terceiro colocado, Marco Enríquez-Ominami, que desistiu de indicar aos seus eleitores sua preferência política no segundo turno - disse: "A acusação feita pela ex-ministra de Pinochet é algo muito sério, mas concedo o benefício da dúvida, ao principal acusado”, a frase incluía a pretensão frustrada de ser um bem comportado candidato de esquerda com votos de centro para passar ao segundo turno no lugar do ex-presidente Eduardo Frei.
O acusado que recebia o benefício da dúvida de Enríquez-Ominami era o candidato da direita, Sebastián Piñera por fraudes que teria cometido contra bancos e o sistema financeiro chileno em plena ditadura nos anos oitenta.
A memória de que houve uma ordem de prisão contra Sebastián Piñera foi registrada por quem fora Ministra da Justiça de Augusto Pinochet: Monica Madariaga. Na oportunidade em que concedia uma entrevista para a televisão, afirmou que durante a ditadura de Pinochet, o Ministro Luis Correa Bulo emitiu um mandado de prisão que estava motivado por fraudes que Piñera teria cometido no Banco de Talca e por crimes contra a Lei Geral de Bancos.
A integrante do governo de Pinochet se referiu desta forma quando interrogada se o atual candidato havia estado preso. "Sim, Sebastián Piñera, o atual candidato. Liguei para o juiz que era o titular da causa e lhe disse: 'Olha, veio aqui o Pepe Pequeno (José Piñera), aquele que foi meu colega de ministério. Foi Ministro do Trabalho e Ministro de Minas. Acontece que o Pepe chegou e disse: "Monicazinha, o Tatan (Sebastián Piñera) está preso" (...). "Acontece que eu pedi ao juiz titular e ele me disse...olha todas as informações estão disponíveis para [lhe] conceder essa liberdade".
Acusado de ser favorecido para manter sua liberdade, Sebastián Piñera rebateu as lembranças da ministra declarando que “em primeiro lugar, neste caso (Banco de Talca), episódio do qual já se passaram quase 30 anos, a Suprema Corte decretou de forma unânime minha total e absoluta inocência; em segundo lugar também tenho a esclarecer que jamais tive problemas com informações privilegiadas”.
No dia imediatamente posterior ao dia 17 de janeiro de 2010, seremos nós, os brasileiros, os "Miguel Mármol" da América Latina. Nesse dia a imprensa brasileira começará a comparar os hoje prováveis resultados eleitorais do Chile com os números das pesquisas no Brasil.
Uma das observaçõesserá a de, provavelmente, registrar a exaustão o grande prestígio de Michele Bachelet, que atualmente tem o apoio de mais de 75 % da população. Neste caso, será ressaltada sua provável incapacidade de transferir votos ao atual candidato do governo chileno, o ex-presidente Frei.
Nesse dia, mais uma vez, nós vamos assistir ao silêncio que não compara banqueiros como Dantas com Piñera. Nem uma palavra sobre Letellier. Assim será, escondendo a história do Chile, não informará mais do que dois segundos e meio sobre o complicado processo eleitoral e imediatamente serão feitas comparações para derrotar a candidata de Lula antes das eleições.
Ficará evidente que as diferenças dos nossos países estão sendo apagadas para prestar serviços às escolhas feitas sem nenhum pudor sob o manto hipócrita da neutralidade eleitoral da imprensa pró-Serra? Estamos antecipando a resposta: não há como comparar. Os processos eleitorais e a história dos dois países deverão optar por resultados diferentes, exatamente, opostos.
Notas
(1) Século Do Vento, O (1998) MEMORIA DO FOGO, V.3 GALEANO, EDUARDO L&PM EDITORES.
(2) Doutrina Do Choque, A (2008) KLEIN, NAOMI / CURY, VANIA MARIA
NOVA FRONTEIRA
A memória em disputa no Chile e na América Latina
No dia imediatamente posterior ao dia 17 de janeiro de 2010, a imprensa brasileira começará a comparar os resultados eleitorais do Chile com os números das pesquisas no Brasil. Se a vitória de Sebastián Piñera se confirmar, uma das observações mais repetidas será registrar o grande prestígio de Michele Bachelet, que atualmente tem o apoio de mais de 75 % da população, e sua incapacidade de transferir votos ao atual candidato do governo chileno, o ex-presidente Frei. E nenhuma palavra sobre o passado pinochetista de Piñera.
Gustavo de Mello
Quando encerramos a leitura da trilogia Memória do Fogo com o livro “O Século do Vento” (1) estamos familiarizados com o personagem Miguel Mármol. Trata-se de uma figura fascinante, um salvadorenho especialista na arte de renascer. O seu forte é resistir às investidas do poder. Cada ressurreição de Miguel é cercada por algum dos grandes eventos que ocorreram no século XX, na história latino-americana.
No Chile, durante as recentes eleições de dezembro, a história do país esteve presente, revelando seus protagonistas, contextualizando as escolhas dos candidatos. Um dos assuntos é lembrar a brutalidade do golpe militar pinochetista contra o médico da Unidade Popular, Salvador Allende. Depois de instalada a ditadura que levou adiante, com seus aliados da sociedade civil, a um circuito fechado, como lembra Naomi Klein (2), repassando à economia chilena os ensinamentos ou “verdades” do economista Milton Friedman aos seus obedientes alunos de Chicago.
Para esses ensinamentos, a premissa fundamental é a de que o livre mercado é um sistema cientifico perfeito, no qual os indivíduos, agindo em função de seus próprios interesses e desejos, criam o máximo benefício para todos.
Orlando Letellier foi assassinado, aos 44 anos, por se opor e escrever brilhantemente contra as escolhas de política econômica que seriam vistas como modelo no continente. Letellier se tornou perigoso porque previu que a política econômica também não prescindiria de brutalidade, pois necessitaria da manutenção dos campos de concentração em todo o país, com a matança de milhares de opositores; fuzilamentos em massa e da ameaça de sua continuidade, para se firmar e "dar certo"; se é que algum dia daria certo essa “íntima harmonia” entre o “livre mercado” e o terror ilimitado.
O candidato que lidera as pesquisas do segundo turno no Chile, Sebastián Piñera, com a possibilidade objetiva de vencer, é um personagem desse passado e pode ser definido da seguinte forma: “Piñera é a expressão do pinochetismo sobrevivente que seu physique du role berlusconiano não consegue esconder”.
Quando o auto declarado "vitorioso" terceiro colocado, Marco Enríquez-Ominami, que desistiu de indicar aos seus eleitores sua preferência política no segundo turno - disse: "A acusação feita pela ex-ministra de Pinochet é algo muito sério, mas concedo o benefício da dúvida, ao principal acusado”, a frase incluía a pretensão frustrada de ser um bem comportado candidato de esquerda com votos de centro para passar ao segundo turno no lugar do ex-presidente Eduardo Frei.
O acusado que recebia o benefício da dúvida de Enríquez-Ominami era o candidato da direita, Sebastián Piñera por fraudes que teria cometido contra bancos e o sistema financeiro chileno em plena ditadura nos anos oitenta.
A memória de que houve uma ordem de prisão contra Sebastián Piñera foi registrada por quem fora Ministra da Justiça de Augusto Pinochet: Monica Madariaga. Na oportunidade em que concedia uma entrevista para a televisão, afirmou que durante a ditadura de Pinochet, o Ministro Luis Correa Bulo emitiu um mandado de prisão que estava motivado por fraudes que Piñera teria cometido no Banco de Talca e por crimes contra a Lei Geral de Bancos.
A integrante do governo de Pinochet se referiu desta forma quando interrogada se o atual candidato havia estado preso. "Sim, Sebastián Piñera, o atual candidato. Liguei para o juiz que era o titular da causa e lhe disse: 'Olha, veio aqui o Pepe Pequeno (José Piñera), aquele que foi meu colega de ministério. Foi Ministro do Trabalho e Ministro de Minas. Acontece que o Pepe chegou e disse: "Monicazinha, o Tatan (Sebastián Piñera) está preso" (...). "Acontece que eu pedi ao juiz titular e ele me disse...olha todas as informações estão disponíveis para [lhe] conceder essa liberdade".
Acusado de ser favorecido para manter sua liberdade, Sebastián Piñera rebateu as lembranças da ministra declarando que “em primeiro lugar, neste caso (Banco de Talca), episódio do qual já se passaram quase 30 anos, a Suprema Corte decretou de forma unânime minha total e absoluta inocência; em segundo lugar também tenho a esclarecer que jamais tive problemas com informações privilegiadas”.
No dia imediatamente posterior ao dia 17 de janeiro de 2010, seremos nós, os brasileiros, os "Miguel Mármol" da América Latina. Nesse dia a imprensa brasileira começará a comparar os hoje prováveis resultados eleitorais do Chile com os números das pesquisas no Brasil.
Uma das observaçõesserá a de, provavelmente, registrar a exaustão o grande prestígio de Michele Bachelet, que atualmente tem o apoio de mais de 75 % da população. Neste caso, será ressaltada sua provável incapacidade de transferir votos ao atual candidato do governo chileno, o ex-presidente Frei.
Nesse dia, mais uma vez, nós vamos assistir ao silêncio que não compara banqueiros como Dantas com Piñera. Nem uma palavra sobre Letellier. Assim será, escondendo a história do Chile, não informará mais do que dois segundos e meio sobre o complicado processo eleitoral e imediatamente serão feitas comparações para derrotar a candidata de Lula antes das eleições.
Ficará evidente que as diferenças dos nossos países estão sendo apagadas para prestar serviços às escolhas feitas sem nenhum pudor sob o manto hipócrita da neutralidade eleitoral da imprensa pró-Serra? Estamos antecipando a resposta: não há como comparar. Os processos eleitorais e a história dos dois países deverão optar por resultados diferentes, exatamente, opostos.
Notas
(1) Século Do Vento, O (1998) MEMORIA DO FOGO, V.3 GALEANO, EDUARDO L&PM EDITORES.
(2) Doutrina Do Choque, A (2008) KLEIN, NAOMI / CURY, VANIA MARIA
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